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Docente:
Maria Odete Valente
Na lei de Bases do Sistema de Educação de Portugal diz-se que
"Os planos curriculares do ensino básico incluirão em todos os
ciclos e de forma adequada uma área de formação pessoal e social que pode ter
como componentes a educação ecológica, a educação sexual, a educação familiar, a
educação para a saúde, a educação para a participação nas instituições, serviços
cívicos e outros do mesmo âmbito".
O sistema escolar abre-se assim a uma área curricular,
obrigatória, explicitamente dedicada à Formação Pessoal e Social. A lei vai mais
longe dando exemplos de algumas sub-áreas que deverão assumidas, nomeadamente a
da educação moral e cívica. Para Kohlberg, a educação e a educação cívica
justapõem-se, porquanto um elevado estádio de desenvolvimento moral corresponde
a um elevado estado de consciência cívica, porque central para a justiça é a
procura da liberdade, igualdade e reciprocidade. A lei de Bases sugere também
toda uma ampla área de informação com vista à formação pessoal do indivíduo,
nomeadamente no campo da educação para a saúde, da educação do consumidor, da
educação sexual e familiar e da educação ecológica.
Esta área curricular tem um primeiro princípio respeitante à
organização do conteúdo curricular e que será o da interacção do interpessoal
com o ambiente físico e humano. Quer dizer, só uma concepção interdisciplinar
das sub-áreas poderá fornecer o quadro conceptual capaz de não reduzir o
conteúdo a mera informação, tornando-o antes quadro integrador e referencial da
formação pessoal e social.
Um segundo princípio diz respeito à metodologia. Na linha das
teorias da educação moral apresentadas considera-se que só uma abordagem de
envolvimento pessoal poderá conduzir a que esta área corresponda ao seu
objectivo e não se torne apenas em mais uma disciplina.
Entende-se por estratégia de envolvimento pessoal uma estratégia
que conjugue a esfera cognitiva e afectiva, tanto ao nível das discussões como
do empenhamento activo. Tanto o trabalho de Kohlberg como o de Raths e seus
discípulos dão-nos elementos importantes para reflectirmos sobre o que poderá
ser o programa escolar de educação para os valores. Por um lado, pretende-se
desenvolver a capacidade de pensar racionalmente sobre problemas pessoais e
sociais. Por outro lado, é importante estimular a clarificação, por parte dos
alunos, dos seus interesses, das suas dificuldades emocionais, dos seus
interesses. Ambos os objectivos parecem importantes, porque se complementam em
termos de envolvimento intelectual e emocional que solicitam. Ao nível da acção,
importa que se mobilizem as energias interiores, convertendo-as em pequenos
projectos de intervenção na escola ou no meio, com o objectivo de uma
aprendizagem de participação cívica.
O papel principal do professor consiste em apresentar exercícios
e actividades aos alunos: dilemas, histórias, incidentes, folhas de valores,
etc., e fazer perguntas. Em qualquer dos casos, são os desafios colocados pelos
professores, através de perguntas, das clarificações e justificações que
solicitam, que determinam o sucesso do programa.
Durante as aulas serão discutidos textos integrados numa
antologia especialmente preparada para esta disciplina. Estes textos deverão ser
previamente lidos e far-se-ão exercícios vários semelhantes aqueles que se
preconizam possam ser realizados com os alunos.
Objectivos
Ajudar os alunos/professores na reflexão
sobre o seu próprio desenvolvimento pessoal e social.
-
Desenvolver competências para Formação Pessoal e Social,
nomeadamente na formação de atitudes, condução de grupos, jogo de papéis,
trabalhos de projecto e nas práticas de intervenção institucional e
comunitária.
-
Ajudar os alunos/professores na reflexão sobre a sua prática
docente e sensibilizá-los para a intervenção educacional neste campo.
-
Conscientizar os professores da importância de analisar o
grau diferencial de convergência entre os valores da escola e os valores dos
diferentes grupos sociais de alunos de modo a possibilitar uma intervenção
pedagógica de qualidade.
-
Compreender a importância da Formação Pessoal e Social no
currículo escolar bem como as dificuldades da sua inserção numa escola
pública não confessional e democrática.
-
Desenvolver materiais curriculares originais para a
utilização nas aulas de várias disciplinas e em momentos explícitos de
Educação para a Cidadania.
Temas
I - Educação e Formação Pessoal e
Social
1. Análise de
referenciais teóricos na educação pessoal e social.
2. A clarificação de
valores
3. A educação do
caracter
4. A confrontação com
dilemas
5. A formação pessoal e
social em contexto escolar noutros países
II- Desenvolvimento de propostas de
trabalho para vários contextos escolares
6. Educação para as
relações interpessoais e educação sexual
7. Educação moral
8. Educação para a saúde
9. A educação do consumidor
10. A educação para os media
11. A educação familiar
Metodologia
A metodologia do curso inclui exposições do
docente, reflexão em grupo, discussão de textos lidos em casa, trabalhos de
aplicação prática dos modelos apresentados, investigação teórica e/ou de campo
dos formandos, apresentação em grupo dos materiais curriculares desenvolvidos
por cada um.
Avaliação
A avaliação será feita
na escala de 0 a 20 inclui os elementos seguintes:
-
Participação nas
discussões;
-
Elaboração de pequenos trabalhos de reflexão;
-
Apresentação de leituras comentadas;
-
Apresentação de materiais curriculares para uso nas suas
aulas.
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