Departamento de Educação

 

Departamento de Educação

Licenciaturas em Ensino

 

Licenciaturas em Ensino

Didáctica das Ciências

 

1 - Objectivos da disciplina

Em Didáctica das Ciências desenvolve-se um conjunto de conhecimentos e de competências necessário à compreensão e análise crítica dos processos de ensino-aprendizagem das ciências e às práticas em sala de aula. Esta disciplina fundamenta-se na ideia de que uma prática pedagógica conducente a um elevado índice de literacia científica requere a compreensão da natureza da ciência nas suas diferentes dimensões e a consideração da problemática ensino-aprendizagem em termos históricos, filosóficos, psicológicos e sociológicos.

O conteúdo programático está distribuído por temáticas que se interpenetram ao longo das aulas teóricas e práticas, organizando-se em torno das seguintes ideias: (1) o ensino das ciências deve reflectir um conceito lato de ciência que inclua as dimensões histórica, filosófica, psicológica e sociológica; (2) o professor deve criar contextos de aprendizagem em ciências que, tendo em conta as características psicológicas e sociológicas dos alunos, permitam o desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e afectivas de nível elevado, conducentes à criação de uma sólida cultura científica; (3) o ensino actual das ciências é o resultado de uma evolução que está baseada em pressupostos filosóficos, psicológicos e sociológicos quanto à organização curricular e quanto aos conhecimentos, atitudes e valores que deverão ser transferidos para o mundo exterior à escola.

2 - Pré-requisitos

·         Formação científica de base nas áreas das disciplinas de que virão a ser professores.

  • Conhecimentos básicos nas áreas da Psicologia, Sociologia, História e Filosofia da Educação, Pedagogia e História, Filosofia e Sociologia da Ciência.

 3 - Sinopse do programa de estudos

Componente teórica

Natureza da Ciência e Ensino da Ciência

  • As metaciências e a actividade científica
  • O ensino das ciências – Aspectos da Psicologia, da Sociologia, da História e da Filosofia.
  • Relação ciência-ensino da ciência: As teorias epistemológicas no ensino das ciências.

 

Organização do ensino-aprendizagem

  • Visão geral da organização do ensino.
  • Estrutura do conhecimento científico e metacientífico.
  • Competências educacionais.
  • Estratégias de ensino-aprendizagem – Estratégias experimentais, de discussão, de resolução de problemas, de mudança conceptual.
  • Tecnologias de informação e comunicação (TIC) no ensino das ciências.
  • Comunicação e linguagem científica.
  • Avaliação da aprendizagem.
  • A investigação em educação como fundamento das práticas.

 

Organização curricular em ciências

  • Currículos, programas e manuais escolares – Perspectivas nacionais e internacionais.
  • Recontextualização de textos pedagógicos e espaços de mudança.
  • Evolução do ensino das ciências.
  • Formação de professores na educação em ciências.

 Componente prática

A componente prática explora os conteúdos da componente teórica, através das seguintes actividades:

·         Análise e discussão de currículos, programas, manuais escolares e outros textos.

·         Trabalho de pesquisa e de processamento da informação.

·         Realização de trabalhos experimentais.

·         Utilização de meios audio-visuais e de tecnologias de informação e comunicação (TIC)

·         Avaliação e construção de materiais pedagógicos.

  

4 - Resultados expectáveis de aprendizagem/Competências a desenvolver

·         Adquirir competências relacionadas com os processos de investigação científica.

·         Reconhecer a importância dos processos de investigação científica na aquisição do conhecimento.

·         Compreender que o ensino das ciências assenta em pressupostos filosóficos, históricos, psicológicos e sociológicos da ciência.

·         Reconhecer que o trabalho experimental é essencial como actividade de aprendizagem científica.

·         Compreender que o actual ensino das ciências traduz uma recontextualização de princípios inerentes às teorias psicológicas e epistemológicas dominantes.

·         Compreender a evolução do ensino das ciências em função de teorias psicológicas e epistemológicas e em função da ideologia dominante.

·         Compreender as vantagens e limitações de planear o ensino segundo temas unificadores e articulando conhecimentos, competências e problemas sociais.

·         Compreender o significado e a importância da avaliação no ensino da aprendizagem.

·         Reconhecer que qualquer planificação do ensino traduz uma reprodução/recontextualização dos princípios dominantes da sociedade e dos princípios estabelecidos nos programas e manuais escolares.

·         Desenvolver capacidades de análise e crítica de currículos, programas e manuais escolares.

·         Desenvolver criatividade e pensamento crítico.

·         Reconhecer a necessidade e a importância de uma permanente auto-formação.

·         Desenvolver competências de comunicação.

 
5 - Bibliografia

Bennett, J. (2003). Teaching and learning: A guide to recent research and its applications. Londres: Continuum.

Bleck, P., & Wiliam, D. (1998). Inside the black box. Londres: NFER Nelson.

Boostrom, R. (2005). Thinking: The foundation of critical and creative learning in the classroom. New York: Teacher College Press.

BSCS (1995). Developing biology literacy – A guide to developing secondary and post-secondary biology curricula. Dubeque: Kendall/Hunt.

Cachapuz, A., Praia, J. & Jorge, M. (2002). Ciência, Educação em Ciência e Ensino das Ciências. Lisbon: Ministry of Education

Chalmers, A. (1982). What is this thing called science? Londres: Open University Press.

Domingos, A. M. (presentemente Morais), Barradas, H., Rainha, H., & Neves, I. P. (1986). A teoria de Bernstein em Sociologia da Educação. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Kind, V., & Taber, K. (2005). Science: Teaching school subjects 11-19. Londres: Routledge.

Leask, M., e Pachler, N. (Eds.) (1999). Learning to teach using ICT in the secondary school. Londres: Routledge

Lemke, J. (1990). Talking science: Language, learning and values. Norwood, NJ: Ablex.

Linn, M., Davis, E., & Bell, P. (Eds.) (2004).  Internet environments for science education. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.

McComas, N. (Ed.). (2000). The nature of science in science education: Rationales and strategies. Londres: Kluwer.

Mintzes, J., Wandersee, J., & Novak, J. (2000). Ensinando ciências para a compreensão: Uma visão construtivista. Lisboa: Plátano.

Morais, A. M., & Neves, I. P. (2000). Formar para o ensino das ciências – Uma abordagem filosófica, psicológica e sociológica. Lisboa: Departamento de Educação, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. (não publicado)

Santos. M. E. (1991). Mudança conceptual na sala de aula: Um desafio pedagógico. Lisboa: Livros Horizonte.

Santos. M. E. (1999). Desafios pedagógicos para o séc. XXI: Suas raízes em forças de mudanças de natureza científica, tecnológica e social. Lisboa: Livros Horizonte.

Sequeira et al (Eds.). Trabalho prática e experimental na educação em Ciências. Braga: Institute of Education and Psychology, University of Minho.

Solomon, J., & Aikenhead, G. (1994). STS education: International perspectives on reform. Nova Iorque: Teachers College Press.

Sternberg, R. J. (1994). Thinking and problem solving. Nova Iorque: Academic Press.

Tobin, K. (Ed.) (1993). The practice of constructivism in science education. Nova Yorque: Laurence Erlbaum Associates.

Trowbridge, L., & Bybee, R. (1996). Teaching secondary school science strategies for developing scientific literacy. Englewood Cliffs, NJ: Merrill.

Vygotsky, L. (1992). Educational psychology. Winter Park, FL : PMD Publications.

Wellington, J. (2000). Teaching and learning secondary science: Contemporary issues and practical approaches. Londres: Routledege.

Ziman, S. (1984). An introduction to science studies – The philosophical and social aspect of science and technology. Cambridge: Cambridge University Press.

 

6 - Outros elementos de estudo/Acompanhamento

Componente teórica

  • Artigos de investigação.
  • Legislação sobre educação.
  • Projectos curriculares e programas nacionais e estrangeiros.
  • Manuais escolares portugueses de diferentes reformas curriculares.
  • Recursos audiovisuais.
  • Software educativo e recursos on-line.

 Componente prática

Dada a ausência, nesta disciplina, de uma fronteira marcada entre as componentes teórica e prática, os elementos de estudo/acompanhamento são os indicados para a componente teórica.

 
7 – Avaliação

Alternativa 1

  • Trabalho de reflexão escrito ou elaboração, de um trabalho de uma estratégia de aprendizagem (trabalho de grupo) - 40%
  • Realização de um teste escrito de consulta ou de um ensaio individual* - 40%
  • Participação nas actividades da disciplina (interesse, assiduidade, preparação prévia das aulas, intervenção nos trabalhos em grupo, nas discussões plenárias e em sessões tutorais, elaboração de pequenos ensaios) - 20%

 Alternativa 2

  • Trabalho de reflexão escrita ou elaboração de uma estratégia de aprendizagem (trabalho de grupo) - 30%.
  • Realização de um teste escrito de consulta ou de um ensaio individual* - 30%
  • Exame oral - 40%.

  

*A aprovação nesta disciplina está limitada pela classificação obtida no teste escrito ou no ensaio individual, que não poderá ser, em qualquer dos casos, inferior a 10 valores.

 

 

 

 

 

 

 

 

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