Cultivar e sustentar a investigação: aprendizagem como
participação numa comunidade de prática
João Filipe Matos
Grupo de Investigação Aprendizagem em Comunidades de Prática[1]
Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, Centro de Investigação em Educação
Olhar a aprendizagem como
participação em comunidades de prática sublinha o carácter fundamental da
interacção (e da tensão inerente) entre a competência (socialmente definida) e
a experiência individual dessa competência. Embora ocorrendo no mundo social
das práticas, a caracterização de uma dada competência não se limita ao
carácter negociado no interior das comunidades de prática mas emerge também na
interacção local–global. Desta forma pode compreender-se as
potencialidades duma abordagem situada da aprendizagem na investigação do nosso
quotidiano e na interligação com a dinâmica mais ampla do mundo social em que
as nossas práticas sociais têm lugar. Esta abordagem
situa o conhecimento (e a aprendizagem) em comunidades de prática. Desta forma,
evidencia-se a acção como inseparável da vida da comunidade que a desenvolve,
tornando possível ligar os indivíduos às comunidades e o cognitivo ao social.
É no
quadro do entendimento das possibilidades que um olhar as práticas e a
aprendizagem na perspectiva referida que se constituiu de forma natural um
grupo de investigação em que se interligam diferentes experiências, níveis de
ensino e trajectórias profissionais e se colocam em diálogo constelações
de práticas que estão, por sua vez, associadas a comunidades de práticas
variadas – nomeadamente a docência no ensino básico, a docência no ensino
superior, a investigação no quadro de trabalhos académicos e de projectos de
investigação, a supervisão de estágio pedagógico no ensino secundário, o jornalismo
e o guionismo, a formação de professores, o apoio a
projectos de escolas básicas e secundárias que envolvem o recurso a meios computacionais. É nesta diversidade –
própria de uma comunidade de prática e que se desenvolve ao longo da
participação na prática – que surge com nitidez a consciência da parcialidade
dos saberes e das competências de cada participante.
Esta comunicação aborda a
história, a trajectória, o reportório partilhado, as questões mais
estruturantes do trabalho deste grupo de investigação e reflecte sobre as
implicações do tipo de actividade criado neste espaço
de diálogo e relação.
[ver slides
utilizados na apresentação]
[1] Com diferentes formas de participação, são elementos
mais centrais deste Grupo de Investigação,
Madalena Santos, Susana Paula Carreira, Mônica Mesquita, Margarida
Belchior, Raquel Palermo, Nélia Amado, Elsa Fernandes, Maria de Jesus Bicho,
Carolina Carvalho, Paula Félix, Helena Gil, Teresa Faria, Cláudia Rodrigues, Isabel
Amorim.