Aspectos de estilo na redacção da tese

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Actualizado em 14-Outubro-2000

Esta página contém algumas recomendações básicas sobre o estilo de escrita que convém ter em consideração. Algumas recomendações são fundamentais (como as do ponto 1), outras são convencionais (como as do ponto 2), mas devem ser seguidas pois isso facilita a comunicação e a compreensão do texto por parte de toda a comunidade de educação matemática.

1. Estilo de argumentação

* É preciso ter bem presente como é que se desenvolve um argumento, nomedamente num texto de natureza teórica, como é o caso por exemplo, da revisão de literatura numa tese de mestrado.

- começa-se com uma introdução, breve, em que se diz o que se vai fazer;

- segue-se o corpo principal, eventualmente com subdivisões – note-se que cada subdivisão reproduz a estrutura geral, como num fractal

- termina-se com uma conclusão, em que se sintetiza o argumento apresentado e se reforça, se for caso disso a ideia principal.

* É de notar que:

-   as introduções não devem  introduzir elas próprias a discussão do corpo principal nem perder-se com discussões "laterais" em relação ao assunto do texto.

-  todas as ideias importantes que resultam de leituras devem referenciar os autores que as formularam. Deve-se evitar o mais possível referenciar autores "em segunda mão"; se, num artigo, encontramos uma referência importante para outro artigo ou para um livro devemos ir à sua procura e ler o texto original, de modo a perceber bem o contexto em que está integrado.

- é claro que é de evitar um texto que surge como simples amálgama de citações. Cabe ao autor encontrar um estilo adequado e reelaborar devidamente as ideias que leu noutras fontes.

- o texto deve estar bem estruturado, (i) evitando frases muito longas ou de construção complicada, (ii) evitando parágrafos muito curtos, (iii) estabelecendo uma boa transição de parágrafo para parágrafo.

2. Estilo de títulos e subtítulos

* O estilo de títulos e subtítulos deve ser rigoroso e pareonizado, para facilitar a compreensão da estutura da argumentação. É de evitar as estruturas complicadas com mais de 5 níveis. Os níveis mais usados são:

1 CAPÍTULO

2 Secção

3 Subsecção

4 Ponto

        5 Subponto. blá bla........

* Note-se que não se fazem secções com uma única subsecção.

* Em regra não se numeram as secções, subsecções, pontos e subpontos.

3. Citações e tipos de letra

- nos autores citados colocamos o ano do trabalho e indicação das páginas se for uma transcrição sic, seguindo o estilo APA. Por exemplo:
- (Kilpatrick, 1999)
- Wilson (1998)
- (Silva, 1997, 1999)
- Mendonça (1996, p. 3)
- (Lopes, 1993, pp. 12-3)

- é de notar que se escreve (p. 21) e não (p.21)

- nas transcrições sic usam-se "aspas" e não itálicos.

- as transcrições com mais de 3 linhas são apresentadas como destaque (indentadas à esquerda e à direita e a um espaço), escritas em letra normal.

- os itálicos reservam-se para expressões que o próprio autor quer enfatizar e para as palavras estrangeiras que é difícil traduzir (por exemplo, software, feedback, site)

- normalmente usam-se fontes de tamanho 12, podendo ser de tamanho maior nos títulos de nível 1 e 2.

4. Outros aspectos de estilo

* Tanto se pode usar a 3ª pessoa ("o investigador fez...") como o estilo reflexo ("fez-se..."). Também se pode usar a primeira pessoa do singular ("fiz..."). Não se deve usar a primeira pessoa do plural ("fizemos..."). Qualquer que seja o registo escolhido, deve ser usado ao longo de toda a tese de modo coerente.

* Evitamos o mais possível o uso da voz passiva, especialmente quando não é absolutamente óbvio quem é o sujeito.

* Evitamos o mais possível as notas de rodapé. Quando absolutamente necessário usam-se notas de fim de capítulo (como no livro da Didáctica).

* Evitamos o duplo espaço entre palavras   que desfeia horrivelmente o texto.

* As transições de assuntos são "sinalizadas" nos títulos e subtítulos ou, quando necessário, no próprio texto. Não se deixam parágrafos de intervalo (em branco) para sinalizar uma mudança de assunto.

* Não usamos palavras que não existem em português, como vivenciar, potencializar... nem brasileirismos como planilha, enquete, etc.

* Evitamos o termo sujeito (tão ao gosto dos psicólogos). Temos alunos, professores, formandos, participantes, pessoas, etc.