A Arte Literária em Isócrates
 

 

Mais ainda que no ensino e nos ideais políticos, foi na arte literária que Isócrates exerceu uma influência mais notável. 

Isócrates ambicionava ser reconhecido como o primeiro prosador do seu tempo e pretendia que as suas composições oratórias se igualassem às grandes obras poéticas. Na verdade, cada uma das suas obras destinadas a publicação, constitui um todo harmonioso. Mesmo numa obra como o Filipe, em que Isócrates diz ter trabalhado menos que nas precedentes, impressiona  pelo equilíbrio e harmonia entre as diversas partes.

 

Em primeiro lugar, deveis saber que os géneros da prosa não são menos importantes que os das composições métricas. (...) Seria uma tarefa árdua se tentasse enumerar todos os géneros da prosa.

 

 

De grande beleza literária, as obras de Isócrates não revelam improvisação alguma. Os seus discursos não são fruto da força apaixonada e repentina que inspira os oradores no meio da Assembleia mas produto de grande e cuidada elaboração.

À arquitectura geral do discurso, à correcta distribuição das partes (introdução, narração e demonstração) junta-se uma magnífica articulação dos argumentos que faz surgir as ideias numa sequência orgânica. Cada discurso é dominado por uma ideia predominante que aponta tanto à inteligência como ao sentimento. Esta ideia, na maioria das vezes de carácter político estabelece-se pela simetria e antítese, por exemplo, entre o passado glorioso e o presente medíocre, daí evoluindo depois para uma série de consequências e conclusões com uma grande riqueza de variantes estilisticas.

As figuras do seu mestre Górgias entrelaçam-se em amplos e harmoniosos períodos. Lento, compacto e não muito conciso, o período isocrático é construído por forma a fornecer em prosa uma impressão análoga àquela que produziu a estrofe lírica. A subordinação dos pensamentos é marcada por todos os recursos da sintaxe grega e a arquitectura complicada da frase põe em relevo todas as subtilezas do pensamento.

Em termos de vocabulário, a exactidão e a pureza são as suas qualidades principais. Nenhuma palavra é usada desnecessariamente. Isócrates evita as palavras arcaicas e obscuras preferindo seguir o uso comum e familiar. Na sua prosa, é raro o uso de palavras estrangeiras e moderado o seu uso de termos da linguagem poética.

Da arte literária de Isócrates Cícero dirá:

"Isócrates usa uma linguagem pura e compreensível; evita a repetição de palavras e sílabas. Procura a harmonia do discurso, elegendo os termos mais belos e criando uma musicalidade pela sua combinação; utiliza tanto a hipérbole como a antítese. Esforça-se por encontrar a expressão mais adequada para cada ideia de modo que a forma e o fundo coincidam"