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1.Todas as pessoas que se
apresentam aqui têm por hábito afirmar que as questões mais graves e mais dignas do
zelo da cidade são aquelas sobre as quais estão para dar conselhos. Apesar disso, e
mesmo se um exórdio desse género se ajustou a diversos outros assuntos, parece-me que me
fica bem começar desta maneira em relação à questão presente. 2.Viemos para deliberar sobre a guerra e sobre a paz, coisas que
têm o maior impacto na vida dos homens e acerca das quais é forçoso que obtenham mais
êxito que os outros aqueles que deliberam com mais acerto. Tal é a importância do
assunto que nos tem aqui reunidos.
14.Bem sei que é árduo estar em oposição ao vosso
estado de espírito e que, apesar de estarmos em democracia, não existe liberdade de
expressão a não ser aqui [na assembleia] para as pessoas menos razoáveis, que não se
preocupam nada convosco, e, no teatro, para os autores de comédias.
17.Se interrompesse agora o meu discurso, sei bem que
havia de parecer que pretendo diminuir a dignidade da nossa cidade, se os Tebanos
continuarem a dominar Téspias e Plateias e as outras cidades que ocuparam, faltando aos
juramentos, e nós, pelo contrário, sem nenhuma necessidade, evacuarmos os territórios
que possuímos actualmente; mas se, pelo contrário, me ouvirdes até ao fim com
atenção, estou certo de que todos vós considerareis ser uma falta de senso e uma
loucura da parte daqueles que tomam como vantagem a injustiça e que dominam à força as
cidades estrangeiras, não tendo em conta as desgraças que derivam de tal conduta.
40.Em segundo lugar, [é preciso que vos convençais]
de que é ridículo suportar as queimaduras e incisões dos médicos para sermos
libertados de maiores sofrimentos, mas repelir os discursos antes de saber claramente se
possuem o poder de ser úteis a quem os escuta.
63.Das qualidades que devem possuir os que desejam
ser felizes, a piedade, a moderação, a justiça e outras virtudes, já falámos pouco
antes. Corresponde à verdade aquilo que eu vou dizer sobre o modo como poderemos ser
educados para nos tornarmos assim o mais rapidamente possível, mas talvez vos pareça, a
vós que me ouvis, estranho e muito diverso da opinião comum.
74.Dizia eu, pois, que a partir dos argumentos
seguintes compreendereis melhor que não é útil apoderarmo-nos do império marítimo, se
observardes atentamente o estado em que se encontrava a cidade antes de possuir esse tal
império e como é que ficou depois de o conquistar; se vós os examinardes pondo-os em
paralelo no vosso pensamento, reconhecereis quantos males [o império] causou ao Estado.
106.Não era para admirar se noutro tempo a todos
passou despercebido que o império era a causa de tantos males para os que o possuíam e
que era objecto de disputa entre nós e os Lacedemónios. Verificareis, com efeito, que os
homens na maioria se enganam na escolha da actividade e que estão mais cheios de desejos
do mal que do bem, tomando melhores decisões a favor dos adversários que de si
próprios.
144.Ora, vale a pena aspirar por uma hegemonia. E as
nossas condições são tais que podemos esperar obter dos Gregos honras semelhantes às
que os reis de Esparta obtêm dos seus concidadãos, contanto que os Gregos se convençam
de que o nosso domínio há-de ser para eles causa de salvação, e não de escravidão.
145.Não obstante haver muitas e belas dissertações
sobre este assunto, tanto a extensão do discurso como a minha avançada idade me
aconselham a calar-me. Mas aos mais novos e vigorosos exorto e recomendo que profiram e
escrevam discursos graças aos quais incitarão à virtude e à justiça os maiores
Estados, os que estão habituados a fazer mal aos outros, porque, se as condições da
Grécia forem florescentes, também a situação dos intelectuais há-de melhorar
grandemente. |
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