O Projecto Político de Isócrates
O projecto político de Isócrates tem por base um princípio relativamente simples, bem típico de um ateniense do seu tempo: a valorização da cultura intelectual face à cultura atlética.
| Se os atletas dobrarem as suas
forças, os outros homens não tirarão nenhuma vantagem, mas se um único indivíduo
pensa bem, isso pode ser um proveito para todos aqueles que querem partilhar as suas
ideias. (Panegírico, 2) |
Nesse sentido, os Gregos deviam tomar consciência do valor inestimável da sua cultura, compreender que ela era, acima de tudo, uma comunidade de valores e de vida. O que implicava fortificar a união entre os Gregos e remediar a miséria que os dividiu. Contudo, esta união só seria eficaz se os Gregos consentissem em submeter-se a uma direcção única: ou a hegemonia de uma cidade (Atenas) ou a chefia de um Príncipe.
Só a união de todos os Gregos há-de conduzir a Grécia para a Paz e a Felicidade. Uma vez realizada, ela permitirá lutar de maneira eficaz contra o inimigo mais temível, o Rei da Pérsia, na condição de que os Gregos aceitem submeter-se a um chefe único. |
O pan-helenismo de Isócrates surge nesse contexto: promover a unidade política da Grécia e libertá-la do inimigo exterior, o Império Persa. Com o passar dos tempos, o projecto político pan-helenista de Isócrates veio a confirmar-se apesar de não da forma por ele esperada e desejada. Quando em 346 a.C., a paz permite a Filipe intervir nos assuntos da Grécia, Isócrates vê no Rei da Macedónia o chefe que poderá realizar os seus planos. No entanto, foi à custa da perca da independência da Grécia, primeiro com a conquista macedónica e depois com o domínio romano, que o Helenismo se transformou de facto na cultura comum a todos os povos da bacia do mediterrâneo.
![]() Bacia do Mediterrâneo |
"Não ousara Isócrates sonhar
tanto, ele que, segundo consta, morreu de desgosto, pouco tempo depois da Batalha de
Queroneia, perdidas as ilusões de que Filipe se contentaria com o papel de general de uma
liga Pan-helénica, em vez de conquistador e senhor de uma Hélade subjugada!"
(Prieto,1989; pags:11-12)