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Alcibíades
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«A natureza dotou-o de múltiplas virtudes - beleza, coragem, inteligência, cultura, talento oratório,
sentido estratégico. Por gosto do poder, acabou por trair a pátria e morreu assassinado.»
(Platão) |
Filho de Clínias, nascido por volta de 450 a. C.. Para além de bem nascido, extremamente rico e criado perto dos
homens mais poderosos da altura, Alcibíades era incrivelmente belo e inteligente. Muito jovem ainda, perdeu o pai e ficou sob tutela
de Péricles,
de quem era sobrinho.
Famoso general, orador e homem de estado, recebeu as lições de
Sócrates que, mais tarde, lhe salvou a
vida num combate. É enquanto amigo e discípulo entusiasta de Sócrates
que aparece em dois diálogos de Platão:
um que leva seu próprio nome e O Banquete. Sedutor, belo, elegante, rico, mas
egoísta, vaidoso, sedento de promoção pessoal e desprovido de escrúpulos, foi
o génio mau de Atenas.
Sócrates
Ensinando Alcibíades (gravura
anónima, 1821).
Este diálogo terá tido lugar em 432 a.C., ano da batalha em que Sócrates,
com 38 anos, salvou a vida de Alcibíades, então com 18 anos.
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Alcibíades casou-se com uma mulher da
família mais rica de Atenas, os Ceryces, detentores dos mistérios de Elêusis,
de seu nome Hiparte, filha de Hipónico e irmã de
Cálias
e Hermógenes. Fixou-se em Atenas, onde fez uma vida efeminada e corrupta, que deu brado.
A fama
conquistada nas batalhas permitiu que em 420
a. C. Alcibíades fosse escolhido estratego. Repelido pelos aristocratas que tentava conquistar, aderiu aos democratas e passou a sustentar o partido favorável à
guerra contra Esparta. Depois da Paz de Nícias, teceu intrigas contra as cidades do Peloponeso, com o objectivo de reiniciar
a luta. Ameaçado de ostracismo, após um acordo com Nícias, conseguiu desviar a escolha do povo para o demagogo Hipérbolo
(417 a. C.).
Quando já se encontrava na Sícilia foi chamado a Atenas para responder a um processo, mas preferiu fugir. Enquanto os
atenieneses o condenavam à morte por contumácia (recusa a comparecer em justiça por questão criminal), refugiou-se em Esparta,
onde conseguiu tornar-se popular (415 a. C.). Aconselhou os espartanos a enviarem um general à
Sícilia, a ocuparem a Deceléia
e a sustentarem a revolta de Quios contra Atenas. Tornando-se suspeito, após o combate de Mileto em que os espartanos foram vencidos, empenhou-se para agir como
intermediário das negociações entre Atenas e o rei dos persas. Em 414
a.C., comandou uma malfadada expedição contra Siracusa,
na Sicília. Ao mesmo tempo,
viu-se implicado (junto com Andócides), na profanação de estátuas do deus Hermes
e dos mistérios de Elêusis. Acusado de sacrilégio e destituído em alto-mar,
desertou e refugiou-se em Esparta,
cujos costumes severos chegou a adoptar por algum tempo .Tecendo intrigas com os aristocratas, precipitou a revolta de 411 a.C., mas, apesar disso, foi aclamado
comandante da esquadra ateniense em Samos
e conquistou duas importantes vitórias sobre Esparta e que recolocou o domínio
do Mar Egeu nas mãos de Atenas.
Vitorioso em Cízico (410 a.C.), conquistou Bizâncio (409 a.C.) e foi
triunfalmente recebido em Atenas. Pouco depois, foi responsabilizado pela derrota de seu preposto Antíoco em
Notium e retirou-se para Queronéia.
Nesse período, tentou evitar o desastre naval de Egospótamos,
mas seu conselho não foi ouvido. Em 406
a.C. foi para a Trácia e
depois para a Pérsia, onde
inicialmente contou com o apoio do sátrapa
local, Fernabazes. Este, contudo, instigado pelos espartanos, mandou matar
Alcibíades quando ele se achava nos braços de uma cortesã (404 a.C.).
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