Atenas
Situada no sudeste da Grécia, na planície da Ática — península limitada pelos Golfos de Pétalion e Sarónico — Atenas está cercada pelos montes Parnaso, Pantélico e Himeto e é cruzada por dois pequenos rios, o Cefiso e o Iliso. Se olharmos para a figura, reparamos na excelente posição marítima da Ática, apropriada para um povo de marinheiros, sendo a região metropolitana servida pelo importante porto do Pireu.
Atenas era
composta por um núcleo urbano, a
Acrópole,
o Ágora,
a
Assembleia, o
Areópago, pelo porto do Pireu e pelos campos agrícolas que abasteciam
a cidade.
Com o aumento da população as habitações foram-se estendendo para o norte e
nordeste da
Acrópole.
Quanto à
composição social, estima-se que durante o século V.
a.C., a
população de Atenas rondava os 200 000 habitantes, sendo mais de 50% escravos. Um pouco da história da cidade... Atenas foi a mais importantes cidade da Grécia Antiga. A sua origem remonta ao séc. VIII a.C. e o seu nome advém da deusa Atena, protectora da cidade. A cidade passou por vários regimes: monarquia, arcontado, tirania e por fim a democracia. Os séculos VII e VI, em particular, foram muito conturbados. A concentração das terras nas mãos de um pequeno grupo de famílias provocou grande tensão social, levando à eclosão de revoltas. Após este período, Atenas foi governada por Drácon e Sólon que contribuiram para o apaziguamento da cidade através de vigorosas reformas sociais. Posteriormente, a cidade ficou sob a governação de Pisístrato, seguindo-se-lhe os filhos Hiparco e Hípias. Ainda que estes tenham sido regimes tiranicos, Atenas procedeu a uma reforma agrária, à construção de uma rede de estradas pela Ática, de um sitema de abastecimento de água para a cidade, e ao desenvolvimento comercial e artistico. No entanto, após a morte de Hiparco, Hípias tornou-se verdadeiramente um tirano e foi deposto em 510 a.C.. Começa aqui o caminho para a democracia ateniense. Após a destituição do tirano, estabeleceram-se dois grupos que lutaram pelo poder — os oligarcas e os apoiantes da democracia liderados por Clístenes. Eis-nos então no séc. V, numa cidade próspera e poderosa, com uma nova democracia que se fortifica. No entanto, a situação externa não é calma. Os persas continuam a atacar a Hélade, sucedem-se várias guerras, como as Guerras Pérsicas que os gregos vencem nas célebres batalhas de Maratona e Salamina. Graças à sua capacidade de enfrentar os adversários e à sua frota naval, Atenas teve um papel central na defesa de muitas outras cidades-estado e na constituição da Liga de Delos. Com a vitória sobre os Persas, Atenas enriquece extraordinariamente e a sua população começa a aproveitar o situação de prosperidade. A arte, o teatro, a poesia, a música e a filosofia floresceram. Homens de letras, artes e ciências, poetas, pintores, escultores, arquitectos, filósofos, advogados, políticos, provenientes de várias regiões vinham a Atenas e aí permaneciam em intensa troca de saberes, numa animada e cosmopolita circulação de ideias. Foi neste ambiente de intenso cosmopolitismo que os sofistas apareceram. Como escreve Marrou, "argumentava-se muito em Atenas, tanto em particular como em público: processos políticos, autos parlamentares de exame da moralidade, prestações de contas (...). O homem eficaz é aquele que se impõe ao adversário, diante de um júri ou perante os juizes. Os oradores hábeis - declarará em casa de Platiranos o sofista Polo de Agrigento - podem, como os tiranos, fazer com que se condene à morte, à confiscação ou ao exílio quem lhes desagrada" (Marrou, 1966: pág.91). É este o tempo de Péricles, o da supremacia económica e cultural de Atenas, o ponto mais alto de toda a cultura grega em que muitas das suas formas atingiram a excelência. É o caso do teatro, tanto sob a forma de comédia, como sob a forma de tragédia, provavelmente a criação literária mais original e importante dos gregos. Muitas das tragédias então criadas e que chegaram até nós, são obras universais que atravessaram os tempos e continuam a ser representadas nos nossos dias. Nas peças cómicas notabilizou-se Aristófanes, o autor de As Nuvens — que representa um quadro vivo da cultura da época, na qual a figura de Sócrates desempenha o papel principal.
Por volta de meio do séc. V a.C. são várias as cidades gregas que começam a rebelar-se contra o poder hegemónico de Atenas, entre elas Esparta — o agudizar destes conflitos conduz à Guerra do Peloponeso. Em simultâneo os persas renovam as investidas sob a influência de Alcibíades. Em 411 a.C. instala-se um regime oligárquico em Atenas, o Conselho dos Quatrocentos, pouco depois deposto e substituído por um regime misto (oligárquico-democrático). Em 410 a.C foi reposta a democracia que durou até à submissão da cidade a Esparta. Seguiu-se uma fase de grandes desentendimentos que mergulharam a cidade em conflitos militares internos e externos dos quais Atenas saiu muito fragilizada. A sua economia, poder naval e influência foram irremediavelmente afectados. O grande enfraquecimento da cidade culminou em 338 a.C. com a invasão desta por Filipe da Macedónia. Em 146 a.C. Atenas é tomada por Roma.
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Olga Pombo: opombo@fc.ul.pt
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