Profissões na Grécia Antiga

 


No diálogo Protágoras são mencionadas algumas  profissões existentes em Atenas. Sabemos que o trabalho manual, sobretudo o efectuado sob as ordens de outrém, era em geral desprezado. Apesar disso, os direitos dos trabalhadores servis eram mantidos, o que atesta bem da qualidade do sistema democrático Ateniense.

Sabemos que os sofistas eram censurados por se fazerem cobrar pelas suas lições. Esta crítica é também extrapolada para as profissões e ofícios:  para os Gregos, depender de outros para obter meios de subsistência era uma escravidão intolerável. O homem verdadeiramente livre deveria ser dono de si mesmo. Já para Homero a pior das condições era a de quem tinha que alugar o serviço dos seus braços.

No entanto, a verdade é que não eram apenas os escravos e os estrangeiros os únicos responsáveis pelos ofícios.  Em Atenas era tido em consideração o facto de uma pessoa ter uma profissão: Sólon fez mesmo aprovar uma lei que dizia que, se os pais não ensinassem um ofício a seus filhos, os filhos  não eram obrigados, mais tarde, a sustentar os pais. Péricles defendia também que os cidadãos deveriam ter uma profissão ou ocupação – aliás, um dos motivos que o levou a fomentar a reconstrução da cidade de Atenas era a necessidade urgente de criar empregos para os cidadãos.

A grande parte dos Atenienses tinha, pois, profissão ou ofício. O ideal era que se conseguisse o estabelecimento de pequenos negócios individuais e/ou familiares, de auto-subsistência. Nos campos os homens fabricavam as suas ferramentas agrícolas e efectuavam a maioria do trabalho do campo, estando as mulheres encarregadas de fazer a roupa e de amassar o pão. Quando não eram camponeses, os cidadãos eram comerciantes, artífices ou marinheiros, tentando sempre trabalhar por conta própria. É esta a grande diferença que existe entre o escravo e o cidadão: enquanto o cidadão livre trabalhava (ou tentava trabalhar) por conta própria, o escravo trabalhava como servo de alguém.

Assim, aos escravos, considerados como ferramentas animais,  eram destinados os trabalhos inferiores da produção embora se encontrem escravos em praticamente todas as profissões.  Os escravos eram essencialmente mineiros (único trabalho que se considera como sendo verdadeiramente de escravo), pedreiros ou qualquer outra ocupação de índole manual. A estes competia-lhes também o trabalho doméstico. As escravas eram encarregadas de funções tais como esmagar ou moer o grão, cozer o pão e cozinhar. Os escravos homens eram, por vezes,  «pedagogos», isto é, responsáveis por levar os filhos do seu senhor aos mestres que os ensinavam, sendo mais tarde também responsáveis por parte da educação dos jovens. No que diz respeito à agricultura, os escravos não eram tão utilizados, já que os donos das terras preferiam, na altura das colheitas e das sementeiras, pagar a «pobres homens livres», do que ter escravos permanentes. Isto devia-se também ao facto de os donos das terras geralmente terem poucos recursos pelo que não podiam alimentar escravos durante todo o ano. Um pequeno agricultor contentar-se-ia com um ou dois escravos. Na verdade, era preciso ser muito pobre para não ter pelo menos um ou dois escravos. Já na industria a sua utilização era muito difundida: numa oficina de armamento chegou a haver cerca de 120 escravos a trabalhar em simultâneo. Ainda se conservam as contas da construção por parte do estado Ateniense de um dos templos, onde são contratados escravos aos seus donos, que recebem o ordenado destes.  O próprio Estado Ateniense tinha escravos a trabalhar permanentemente para si: por exemplo, os escrivães, os funcionários públicos e até os archeiros eram escravos que tinham sido comprados por Atenas para desempenharem esse cargo.

Olga Pombo opombo@fc.ul.pt