Zeus

 

 

 

Zeus é o Senhor dos Céus e Deus Supremo da mitologia Grega. Filho mais novo de Cronos, Rei dos Titãs, e Rhea (Réia), nasceu no Monte Ida, Ilha de Creta. Conhecido pelo nome Romano de Júpiter, tinha como irmãos Poseidon, Hades, Deméter, Héstia e Hera — de quem era tambem marido. Foi pai de diversos deuses, como Atena, Ártemis e Apolo, e semi-deuses, como Heracles. Havia muitas estátuas erguidas em honra de Zeus, sendo que a mais magnífica estava em Olímpia, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Originalmente, os jogos olímpicos eram realizados em sua honra.

 

 

 

É nos poemas homéricos que é criada a personalidade de Zeus, rei dos homens e dos deuses, deus que reina nas alturas luminosas do Céu. Na maior parte do tempo, Zeus permanece no cimo do monte Olimpo, mas também viaja. Preside ás manifestações celestes, provoca a chuva, lança o raio e os relâmpagos mas, sobretudo, mantém a ordem e a justiça no mundo. Encarregado de purificar os assassínios da mácula do sangue, zela pela conservação dos juramentos e pelo respeito dos deveres devidos aos hóspedes; é a garantia do poder real e, em geral, da hierarquia social. Exerce estas prerrogativas em relação aos homens e aos deuses.

 

Ele próprio está submetido ao Destino, de que é o intérprete e que defende contra a fantasia dos outros deuses. É o distribuidor dos bens e dos males. Homero, na Ilíada, conta que, na porta do seu palácio, existem duas jarras, uma contendo os bens, e outra os males. Normalmente, Zeus tira o conteúdo alternadamente de uma e de outra para cada um de nós. Mas, por vezes, tira exclusivamente de uma delas e o destino que daí resulta é ou inteiramente bom ou, e é o que mais se verifica, inteiramente mau.  

 

Durante muito tempo quem governou a Terra foi o tirano Urano (o Céu). Até que foi deposto por Cronos, seu filho. Então Urano profetizou que Cronos também seria destronado por seu próprio filho.

Cronos, temendo a maldição, passou a devorar vivos os próprios filhos, logo que estes nasciam. Ao nascer o sexto filho, Réia decidiu recorrer à astúcia e salvar o pequeno Zeus, que acabava de nascer. Deu-o à luz de noite, secretamente, e, de manhã, levou a Cronos uma pedra envolta em panos que Cronos devorou, acreditando que se tratava de uma criança.

 Reia levou o filho para um local seguro, dando-lhe o nome de Zeus (Tesouro que reluz). Quando Zeus atingiu a idade adulta, quis apoderar-se do poder que Cronos detinha. Pediu, então, conselho a Métis (a Prudência), que lhe deu uma droga, graças à qual Cronos foi obrigado a vomitar as crianças que devorara. Apoiando-se nos irmãos e irmãs, Zeus atacou Cronos e os Titãs. A luta durou dez anos. No final, Zeus e os Olímpicos venceram e expulsaram os Titãs do Céu. Para obter esta vitória, Zeus, a conselho de Geia, libertou do Tártaro os Ciclopes e os Hecatonquiros, que Cronos aí aprisionara. Para isso, matou a sua guardiã, Campe. Os Ciclopes deram, então, a Zeus o trovão e o raio, que tinham forjado; deram a Hades um elmo mágico que tornava invisível quem o usasse; e a Poseídon, o tridente, cujo embate agita a terra e o mar. Uma vez vencedores, os deuses partilharam o poder, tirando-o à sorte. Poseídon ficou com o Mar, Hades com o Mundo Subterrâneo e Zeus obteve o Céu e a preeminência sobre o Universo. 

A vitória de Zeus e dos Olímpicos foi, todavia, contestada. Juntamente com os Olímpicos, Zeus teve de lutar contra os Gigantes, postos contra ele pela Terra, irritada por saber que os seus filhos, os Titãs, estavam aprisionados no Tártaro. Finalmente, como última prova, Zeus enfrentou Tífon e este foi o combate mais rude que teve de travar. No decurso da luta, foi feito prisioneiro e mutilado pelo monstro, mas um estratagema de Hermes e de Pã libertou-o e, por fim, alcançou a vitória. 

 

 

Zeus consolidou o seu domínio através de casamentos e aventuras amorosas que, no devido tempo, produziram mais deuses, semideuses (heróis) e reis. Tornaram-se célebres tanto a quantidade de mulheres por quem o "pai dos deuses e dos homens" se apaixonou — mitógrafos tardios chegaram a catalogar 115 — quanto os disfarces e metamorfoses que utilizava para se aproximar das deusas e das mais belas mulheres mortais. 

Cronologicamente, a primeira das uniões de Zeus é com Métis, filha de Oceano. Para escapar ao deus, Métis tomou diversas formas, mas em vão. Teve de submeter-se e concebeu uma filha. Mas Geia predisse a Zeus que, se Métis desse à luz uma filha, esta, por sua vez, conceberia um filho que destronaria o seu pai. Por isso, Zeus engoliu Métis e, quando chegou o momento do parto, Prometeu fendeu com um golpe de machado o crânio de Zeus, de onde saiu, completamente armada, a deusa Atena. Zeus desposou em seguida Témis, uma das
Titãs, e dela teve filhas; as Estações (as Horas), chamadas, respectivamente, Irene (Paz), Eunomia (Disciplina) e Dice (Justiça). Em seguida, as Moiras, que são as agentes do Destino. 

 

Zeus uniu-se ainda a Dione, uma das Titânides e nela gerou Afrodite. Com Eurínome, filha de Oceano, concebeu as Graças: Aglaia, Eufrósina e Talia, que são, na origem, espíritos da vegetação. De outra Titânide, Mnemósina, que simboliza a Memória, teve as Musas. Por fim, com Leto, gerou Apolo e Ártemis. É só neste momento que, segundo Hesíodo, se situa o casamento sagrado com Hera, sua própria irmã. Mas é geralmente considerado como muito mais antigo. Deste casamento nasceram Hebe (deusa da juventude), Ilitia, Hefesto (deus do fogo) e Ares (deus da guerra). Com uma das suas outras irmãs, Deméter, Zeus teve uma filha: Perséfone. 

 

Estas são as uniões com as deusas, mas as suas uniões passageiras com mortais são inumeráveis. Não há uma única região do mundo helénico que não se tenha vangloriado de ter por herói epónimo um filho nascido dos amores de Zeus. A união entre Zeus e mulheres mortais produziu, na sua maior parte, heróis (ou semideuses); no entanto, em três casos, os seus filhos acabariam por se tornar deuses.

 

Hermes, filho de Maia, primitivamente uma ninfa da Arcádia, nasceu já praticamente uma divindade; Dioniso, filho de Sémele, e Heracles, filho de Alcmena, no entanto, nasceram inteiramente humanos e ascenderam à divindade mais tarde. Hércules tornou-se um deus somente depois da sua morte terrena.

 

Zeus, para desespero da sua esposa legítima, foi um dos maiores produtores de heróis. Hera perseguia sistematicamente as amantes e os filhos ilegítimos do marido e, para esconder as suas aventuras da esposa, muitas vezes Zeus teve de assumir outras formas (touro, cisne, chuva de ouro...). 

 

 

   

Mas Zeus não perdeu a cabeça apenas por belas mulheres. Ganimedes, da estirpe dos reis de Tróia, era considerado "o mais belo dos mortais" e Zeus apaixonou-se por ele. Quando o jovem pastoreava os rebanhos do pai no Monte Ida, o deus raptou-o e levou-o para o Olimpo. Em algumas versões, foi a águia de Zeus a incumbida dessa missão. No Olimpo, Ganimedes servia de escanção. Era ele quem deitava o néctar na taça de Zeus, substituindo nesta função Hebe, a divindade da juventude. Zeus, em compensação deste rapto, presenteou o pai (Erictónio, Trós ou Laomedonte, conforme a versão) do jovem com cavalos divinos ou com uma cepa em ouro, obra de Hefesto. A águia que raptara Ganimedes transformou-se em constelação. 

 

Lendas Diversas

 

Zeus intervém num grande número de lendas difíceis de agrupar. A Ilíada conhece uma conjura tramada contra ele por Hera, Atena e Posídon e que tinha por fim acorrentá-lo. Foi salvo por Egéon. Noutra ocasião, lançou Hefesto no vazio e tornou este deus definitivamente coxo, castigando-o assim por ter tomado o partido de Hera. Restabeleceu a ordem no mundo depois do roubo de Prometeu, agrilhoando este no Cáucaso. Mas, perante a maldade dos homens, decide o grande Dilúvio, de que a raça humana só conseguirá salvar-se graças a Deucalião. É a este Zeus libertador que, uma vez terminado o Dilúvio, Deucalião oferecerá o seu primeiro sacrifício. 

 

Vemos Zeus intervir nas querelas que surgem um pouco por todo o lado: entre Apolo e Heracles a propósito da trípode de Delfos; entre Apolo e Ida por causa de Marpessa; entre Palas e Atena, provocando assim, involuntariamente, morte da primeira; entre Atena e Poseídon, que disputavam a posse da Ática; entre Afrodite e Perséfone, que disputavam o belo Adónis. Castiga ainda um certo número de criminosos, nomeadamente sacrílegos como Salmoneu, Ixíon (vingando deste modo um insulto particular), Licáon, etc. Vêmo-lo também intervir nos trabalhos de Heracles, dando-lhe armas contra os inimigos ou retirando-o das suas mão quando é ferido. 

 

 

Fídias foi o autor, em 435 a.C, Estátua de Zeus.

Com 12 m de altura, a estátua for erigida em Olímpia e era, talvez a escultura mais famosa na antiga Grécia. 

Fídias concebeu as vestes e ornamentos de Zeus em ouro, tendo esculpido o corpo em marfim.

 

 

Tetradrachma de prata de Alexandre III, cunhado em 295/275 a.C. em Mileto,  na Jónia.
 

 

 

 

Olga Pombo opombo@fc.ul.pt