Introdução
O texto possui diversos pontos de interesse. Realço sobretudo dois:
por um lado, as questões filosófico-biológicas sobre "o que é pensar" e até que ponto é legítimo dizer que "a máquina pensa", questões importantes quanto mais não seja por juntarem à volta da mesma problemática áreas do saber que, em geral, vivem de costas voltadas
por outro lado, a curiosidade de ver como eram analisadas as potencialidades computacionais há meio século por uma importante figura no âmbito do desenvolvimento matemático e tecnológico.
Claro que as questões que o texto coloca não têm resposta definitiva. Nem no tempo de Shanon, nem ainda hoje. Mas é interessante ver como, há cinquenta anos, um dos mais destacados investigadores na área se apercebeu da necessidade de, face às evoluções computacionais ocorridas, redimensionar conceitos como "razão", "cálculo", "máquina", "pensamento", "jogo", "memória". Num mundo em que o computador pessoal ainda era uma miragem, as máquinas computacionais e suas potencialidades eram já objecto de aturada reflexão. Digamos que a reflexão sobre o que é uma máquina (computacional) e sobre o que ela faz é tão antiga quanto a própria máquina (computacional).
Uma terceira razão do interesse deste texto: ele oferece uma boa oportunidade de verificar a importante e pioneira presença da Matemática e dos matemáticos no desenvolvimento dos instrumentos computacionais.
Os meus comentários à tradução do texto de Shannon são apresentados nesta cor e em itálico.
As figuras que aparecem ao longo do texto são as mesmas que aparecem na fonte a partir da qual fiz a tradução, tendo sido digitalizadas por "scanner", razão pela qual a sua qualidade não é a melhor. Achei no entanto que fazia sentido incluí-las na mesma forma e nos mesmos lugares em que se encontravam na edição consultada.