Departamento de Educação

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História e Filosofia da Educação

DOCENTES

Biologia, Geologia

Olga Pombo

Física, Química e Matemática

Joaquim Pintassilgo
Teresa Levy


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Joaquim Pintassilgo

 

PROGRAMA

Introdução:

A disciplina de História e Filosofia da Educação pretende promover uma reflexão crítica sobre alguns dos principais temas e/ou problemas educacionais, observados a partir de uma perspectiva simultaneamente histórica e filosófica, procurando assim proporcionar o reconhecimento da complexidade que caracteriza esses fenómenos e destacar as mudanças e permanências na maneira de os encarar e resolver. Optou-se, assim, por enfatizar, por um lado, o travejamento conceptual duma reflexão filosófica sobre educação e, por outro lado, a construção do discurso pedagógico da modernidade, tendo como ponto de partida autores e temas nucleares.

Objectivos:

  • Promover o desenvolvimento de um olhar crítico e reflexivo relativamente aos debates e às opções pedagógicas;
  • Reconhecer a complexidade e a diversidade das situações e temáticas educativas;
  • Identificar alguns dos principais momentos da evolução do pensamento histórico-educativo;
  • Relacionar a reflexão teórica com os problemas decorrentes da prática pedagógica;
  • Promover competências ao nível da pesquisa autónoma e do trabalho cooperativo.

Conteúdos:

Introdução: papel da Filosofia e da História da Educação no contexto de uma reflexão pedagógica.

  1. Algumas referências conceptuais e problemáticas:
    • Educação, socialização, cultura,…;
    • Finalidades da educação;
    • Educação e valores; entre a neutralidade e a doutrinação;
    • A ética e a moral na educação; deontologia da profissão docente;
    • Educação e religião;
    • Entre a liberdade e a autoridade;
    • Modernidade, pós-modernidade e educação;
    • Utopia, humanismo e optimismo pedagógico.
  2. A construção da modernidade pedagógica; a renovação do pensamento educativo, de Rousseau a Paulo Freire:
    • Rousseau: educação e natureza; uma nova concepção da criança;
    • Dewey: experiência, educação e democracia;
    • Adolphe Ferrière: a sistematização dos princípios da Escola Nova;
    • Freinet: escola do povo e educação pelo trabalho;
    • Neill: educação, liberdade e self-government;
    • Carl Rogers: uma pedagogia centrada na pessoa; o professor como “facilitador” do ensino;
    • Paulo Freire: educação, libertação e “conscientização”.
  3. O pensamento pedagógico em Portugal: a tradição renovadora.
    [elaboração de trabalhos monográficos sobre pedagogos portugueses]

Metodologia:

Privilegiar-se-á, no funcionamento desta disciplina, o diálogo e a criação de situações que permitam a participação dos alunos e uma reflexão conjunta sobre os temas indicados no programa. Serão seleccionados textos de apoio e apresentadas situações problemáticas como ponto de partida para o trabalho a desenvolver. Promover-se-á a realização de trabalhos que fomentem a cooperação, a iniciativa e o espírito crítico ao nível dos alunos.

Avaliação:

A avaliação terá em conta a presença, a participação regular dos alunos nas aulas e a sua colaboração nas actividades (individuais ou em pequeno grupo) organizadas. Serão ainda realizados dois trabalhos escritos: um teste presencial e individual, que assumirá a forma de comentário de texto(s), e um trabalho em pequeno grupo, a combinar entre docente e alunos, que permita o desenvolvimento de um tópico subjacente ao 3º tema do programa e com apresentação e discussão no contexto das aulas.

Bibliografia

Abbagnano, N. & Visalberghi, A. (1981-82). História da pedagogia. Lisboa: Livros Horizonte, 4 vols.

Altarejos Masota, F. et al. (1991-98). Filosofía de la Educación Hoy. Madrid: Dykinson, 3 vols.

Avanzini, G. (dir.) (1978). A pedagogia no século XX. Lisboa: Moraes.

Bertrand, Y. (1991). Teorias contemporâneas em educação. Lisboa: Instituto Piaget.

Calafate, P. (dir.) (2000). História do pensamento filosófico português (vol. V, tomos I e II). Lisboa: Editorial Caminho.

Carvalho, A. D. de (org.) (2001). Filosofia da educação: temas e problemas. Porto: Edições Afrontamento.

Cohen, A. & Garner, N. (1967). Readings in the history of educational thought. London: University of London Press.

Colom, A. J. (coord.) (1997). Teorías e instituciones contemporáneas de la educación. Barcelona: Editorial Ariel.

Cunha, P. d´O. (1996). Ética e Educação. Lisboa: Universidade Católica Editora.

Dias, J. R.; Araújo, A. F. (org.) (1998). Filosofias da Educação. Temas e problemas. Braga: Universidade do Minho.

Fernandes, R. (1979). A pedagogia portuguesa contemporânea. Lisboa: Instituto de Cultura Portuguesa.

Fernandes, R. (1992). O pensamento pedagógico em Portugal (2ª ed.). Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.

Fullat, O. (1995). Filosofias da Educação. Petrópolis: Vozes.

Garcia Carrasco, J. (coord.) (1994). Teoría de la Educación. Diccionario de Ciencias de la Educación. Madrid: Ediciones Anaya.

Gervilla, E. (1993). Postmodernidad y educación. Valores y cultura de los jóvenes. Madrid: Dykinson.

Gilbert, R. (1986). As ideias actuais em pedagogia (5ª ed.). Lisboa: Moraes.

Gutek, G. L. (1997). Philosophical and ideological perspectives on education. Boston: Allyn and Bacon.

Houssaye, J. (dir.) (1999). Éducation et Philosophie. Approches contemporaines. Paris: ESF Éditeur.

Houssaye, J. (dir.) (1996). Pédagogues contemporains. Paris: Armand Colin.

Houssaye, J. (dir.) (1994). Quinze pédagogues. Leur influence aujourd’hui. Paris: Armand Colin.

Houssaye, J. (dir.) (1995). Quinze pédagogues. Textes choisis. Paris: Armand Colin.

Marques, R. (1998). A arte de ensinar: dos clássicos aos modelos pedagógicos contemporâneos. Lisboa: Plátano.

Marques, R. (1999). Modelos pedagógicos actuais. Lisboa: Plátano.

Marques, R. (2001). História concisa da pedagogia. Lisboa: Plátano.

Pourtois, J.-P.; Desmet, H. (1999). A Educação pós-moderna. Lisboa: Instituto Piaget.

Reboul, O. (2000). A Filosofia da Educação. Lisboa: Edições 70.

Reboul, O. (1992). Les valeurs de l´éducation. Paris: P.U.F.

Rocha, F. (1988). Correntes pedagógicas contemporâneas. Aveiro: Editora Estante.

Sarramona, J. (1997). Fundamentos de educación (5ª ed.). Barcelona: Ediciones CEAC.

Savater, F. (1997). O valor de educar. Lisboa: Editorial Presença.

Snyders, G. et al. (1984). Correntes actuais da pedagogia. Lisboa: Livros Horizonte.

Winch, C. & Gingell, J. (1999). Key concepts in the Philosophy of education. London & New York: Routledge.

ANEXO – PEDAGOGOS E EDUCADORES PORTUGUESES

[selecção com vista ao desenvolvimento de trabalhos monográficos]

Luís António Verney

A. N. Ribeiro Sanches

Almeida Garrett

Alexandre Herculano

António Feliciano de Castilho

João de Deus

Bernardino Machado

F. Adolfo Coelho

A. J. Alves dos Santos

Teixeira de Pascoaes

João de Barros

João de Deus Ramos

Alice Pestana

Adolfo Lima

António Sérgio

A. Faria de Vasconcelos

Álvaro Viana de Lemos

António Aurélio da Costa Ferreira

Leonardo Coimbra

Irene Lisboa

Sebastião da Gama

Bento de Jesus Caraça

Delfim Santos

Padre Américo

Maria Amália Borges Medeiros

Émile Planchard

Agostinho da Silva

João dos Santos

Rui Grácio

Sérgio Niza

 


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Olga Pombo

 

PROGRAMA

Introdução
  1. A História da Educação e a Filosofia da Educação. Problematização do objecto e método de cada uma das disciplinas. Sua articulação.
  2. A cadeira de História e Filosofia da Educação no actual curriculum de formação de professores. Seu lugar e significado. Objectivos da cadeira.
  3. Educação, Instrução, Ensino. Esclarecimentos conceptuais e distinções operatórias.

Emergência, significado e transformação da instituição escolar

  1. A emergência da escola. Da cultura oral à cultura escrita. A escola e a cultura cibernética. Circularidade, linearidade, instantaneidade e dispersão.
  2. Escola e ciência na Grécia. O museu de Alexandria. Roma e o legado do mundo antigo.
  3. A universidade medieval. Ascensão e queda de uma instituição. A ciência moderna e o movimento das academias. A reforma das universidades. Do conflito das faculdades à fundação da universidade de Berlim. A instituição universitária nos nossos dias.
  4. O processo de estatização da escola. Das escolas de caridade à institucionalização de sistemas de ensino. Os colégios jesuítas da contra reforma. A escola napoleónica.
  5. A escola como instituição. Características específicas da instituição escolar. As funções da escola. A instituição escolar contemporânea. Contradições, desafios e alternativas.

A reflexão educativa

  1. A crítica da Escola como instância repressiva (Rousseau), como aparelho ideológico (Althusser) e como mecanismo de ordenação do discurso (Foucault).
  2. Identificação e explicitação das principais antinomias inerentes à problemática eductiva. Sua exploração e desenvolvimento. Platão e Kant ou a antinomia sobre as finalidades da educação. Durkheim e Ivan Illich ou a antinomia sobre os mecanismos da educação. Dewey e Alain ou a antinomia sobre o ponto de ancoragem da educação. Gusdorf e Hannah Arendt ou a antinomia sobre os conteúdos da educação.

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Teresa Levy

 

Nota justificativa

Como se ensina e o que se ensina em Filosofia de Educação hoje ?

Primeiro que tudo, devo assinalar que, 
  1. O programa está pensado para alunos que não são de filosofia mas sim futuros professores de ciências
  2. É minha convicção que a filosofia tem a ver com a vida, com o seu sentido assim como com questões sobre o pensar e o agir. 

Estes pressupostos não implicam menor exigência ou qualquer compromisso. A filosofia é exigente, por um lado, e não há uma autoridade nem no céu nem na terra que nos dite as regras de bem pensar e bem agir. 
Os critérios da filosofia não são os mesmos que os das ciências. Ela busca o sentido do mundo em que vivemos, o espaço onde vivemos, onde outros viveram e outros virão ocupar. 
A filosofia não nos dá respostas definitivas. Predispõe-nos a reflectir, a questionar, a procurar orientações no universo de sentido. A partir da tradição, faz-nos buscar o vocabulário, os conceitos que nos ajudam a pensar o presente. Já houve quem dissesse que ela nos dá os 'instrumentos' do pensar. Instrumentos que estão sempre a ser reajustados, trabalhados, recreados. Instrumentos antigos podem encontrar novos usos, ser esquecidos ou permanecer Inalterados. Outros instrumentos terão que se fabricar. Nunca se devem considerar como algo de adquirido. São frágeis e necessitam de um uso e atenção constantes. 

Conteúdos programáticos 

Vamos então considerar duas dimensões do presente que precisamos de problematizar para contextualizar o problema da educação e da escola. 

1ª dimensão: a cultura. 
2ª dimensão: a sociedade 

Em ambos os casos, dar-se-á especial atenção à componente tecnocientífica Dentro deste contexto, abordaremos três tópicos: 

  1. A escola como espaço comunicativo 
  2. O professor enquanto intelectual
  3. O conhecimento científico como aspecto primordial da actividade curricular. 

Organização das aulas 

Haverá uma componente expositiva em que se delinearam os contornos dos aspectos mencionados. Os alunos serão convidados a introduzirem acontecimentos actuais que afectam esses tópicos. Prevê-se, portanto, a sua análise e discussão. 
Serão ainda dados textos para análise e discussão nas aulas. Esses textos devem ser lidos antes de serem abordados nas aulas 

Requisitos e avaliação 

Espera-se que os alunos tenham um papel activo nas análises e discussões que ocorrem nas aulas, levantando questões relevantes sobre os textos e acontecimentos actuais. 
Os alunos devem desenvolver um projecto onde mostrem como poderiam aprofundar um dos tópicos sugeridos. O projecto é realizado em grupo e apresentado na aula com os meios de apresentação escolhidos pelo grupo. 
Os alunos devem escrever um ensaio (cerca de 15-20 p.) sobre os modos possíveis de actuação do professor na escola, tomando como ponto de partida a sua concepção de ensino. 
Quer na apresentação quer no ensaio, os alunos devem indicar as fontes de que se serviram. 

Nota: A bibliografia e os textos a discutir serão entregues com a maior brevidade possível. Espera-se que os alunos façam pesquisa (em vários suportes) sobre os temas que pretendem aprofundar.