O projecto enciclopedista

A "palavra" Enciclopédia

Termo latinizado a partir do grego eu-kuklios paideia (eu-kuklios paideia), a palavra enciclopédia significa, etimologicamente, o circulo (kuklios) perfeito (eu) do conhecimento ou da educação (paideia), o ciclo ou percurso completo da aprendizagem e da educação.

Na sua forma moderna, a palavra é um neologismo do século XVI. Foi pela primeira vez usada, em inglês, por um autor obscuro, Sir Thomas Elyot em Boke of the Governour (1531)

Em francês, a palavra aparece pela primeira vez no Pantagruel de Rabelais (1532)

Referindo-se à competência universal do seu mestre Pantagruel, Panurge afirma a dado passo:

"En quoy je vous puisse asseurer qu'il m'a ouvert le vrays pays et abisme de encyclopédie"

(Pantagruel, XX, sublinhados nossos).

 

Como parte do título de um livro, a palavra só surge mais tarde, em Paul Skalich de Lika, Encyclopaediae seu orbis disciplinarum tam sacrarum quam profanarum epistemon,  publicada em Basel em 1559.

 



Um pouco antes, é a palavra equivalente ciclopédia  que aparece, na forma grega kuklopaideia, num título de Fleming Joachim Stergk, Lucubrationes vel potius absolutissima kuklopaideia (1529). 

Há, evidentemente, inúmeras obras que podem ser hoje, retroactivamente, incluídas na categoria de enciclopédia e que, no seu título e desenvolvimento, não incluíam essa designação.

Na verdade, só a partir do século XVII, quando o enciclopedismo se constitui como um verdadeiro movimento, é que o termo se populariza e aproxima do seu significado actual. 

É também então -  e apesar de todas as transformações a que irá estar sujeita -  que a enciclopédia se configura como um género com a sua identidade, regras e propriedades.