Olga Pombo
É
no século XVII que surge a enciclopédia. É pelo menos então que, em sentido
preciso, a palavra se estabiliza e que a enciclopédia se aproxima de facto daquilo que hoje por ela
entendemos - género que aqui procuramos
caracterizar na sua identidade, regras e propriedades.
Tal não significa porém que não seja possível ir atrás, à Idade Média e mesmo à Antiguidade Clássica, buscar as raízes de uma determinação cultural que, sofrendo embora grandes transformações ao longo dos séculos, não deixa de ser identificável enquanto projecto - reunir numa única obra todo o património cultural da humanidade.
Trata-se, além do mais, de uma determinação cultural que ultrapassa as fronteiras da Europa, de um projecto que parece acompanhar todas as civilizações da escrita a partir de um determinado momento da sua história. No breve panorama histórico do movimento enciclopedista que aqui nos propomos traçar, e que não tem outra finalidade senão a de oferecer o enquadramento necessário à compreensão da enciclopédia enquanto configuração particular da ideia de unidade das ciências - nosso objecto privilegiado de análise - limitar-nos-emos a referir os principais títulos da cultura ocidental. De fora ficarão todas as obras provenientes da cultura oriental, nomeadamente árabe e chinesa. Não poderíamos no entanto deixar de fazer uma referência brevíssima à monumental produção enciclopédica chinesa. A dimensão gigantesca, quase insensata dessas obras e o carácter insólito dos sistemas de classificação que lhes estão subjacentes, completamente estranhos às categorias do pensamento ocidental, fazem delas o lugar simultaneamente simbólico e excessivo de um projecto, afinal, sempre desmedido.
Para uma história da ideia de enciclopédia - Alguns exemplos