Encyclopaedia and Hypertext

Museum and Cyberspace

 

 

 


 

Cyberspace and contemporary art museums

by

Susana Mendes Silva

Apesar da relação (conflituosa) entre a arte de vanguarda e o museu, o museu como instituição e estrutura não se dissolveu, talvez, como sugere Hans-Peter Schwarz, porque nos confronta, ao contrário dos outros mass media, com o estrangeiro, o desconhecido, o embaraçante. Se nos reportarmos às vanguardas do início do século encontramos Picasso nas caves bolorentas do museu do Trocadero, fascinado com o poder mágico dos objectos dos povos ditos primitivos.  Duchamp em 1936 cria o seu próprio "museu" La Boîte-en-valise, uma pequena mala com reproduções, réplicas, e miniaturas das suas obras. Curiosamente este modelo de "museu" transportável foi emprestado pela museologia, sendo hoje denominado como mala pedagógica.

O museu no século XX não foi apenas um cofre forte dos valores culturais da sociedade ocidental, fechado e inexpugnável. Tentaremos analisar as relações de conflito, de troca e a abertura progressiva do museu de arte tanto às tendências contemporâneas, como às tecnologias do seu tempo. Os museus de arte contemporânea, especialmente os dedicados à new media art, deixaram de caber na definição de museu do ICOM: A museum is a non-profit making, permanent institution in the service of society and of its development, and open to the public which acquires, conserves, researches, communicates and exhibits, for purposes of study, education and enjoyment, material evidence of people and their environment (ICOM Statutes, art. 2º). Pretendem ser fundamentalmente plataformas activas, no sentido do ZKM ou do Walker Art Center, porque são estruturas que permitem aos artistas trabalhar dentro do museu, com recursos tecnológicos adequados, mas também de visibilidade, validação, e conservação de obras que de outra forma raramente conseguiam caber nos circuitos da arte contemporânea como as galerias de arte ou os museus. Curiosamente pode quase estabelecer-se um paralelo com os museus de ciência (ditos hands-on) que criam as suas colecções dentro do próprio museu, embora, neste caso, com uma finalidade marcadamente pedagógica e ilustrativa.

O museu, sendo uma instituição conservadora, resistiu longamente a aceitar a fotografia como arte. Interessa compreender de que forma diferentes museus de arte contemporânea foram gradualmente aceitando, utilizando e compreendendo o uso das novas tecnologias, e com a chegada da Internet a projecção do museu para fora do seu local físico. As novas tecnologias, no caso particular do museu de arte contemporânea, não são apenas ferramentas de comunicação, mas também o "suporte" de obras de media art e net.art, o que coloca uma dupla questão, tal como a fotografia colocava. Esta foi primeiro aceite como ferramenta de trabalho, instrumento de reprodução, e só recentemente foi entendida como forma artística, uma vez que minava as noções de originalidade, autenticidade e presença, essenciais para o ordenador discurso museológico. O campo minado mantém-se com as new media technologies que continuam a colocar questões incómodas.