É com esta metáfora que a relação que um termo tem com as suas duas extensões é tornada mais clara.
A relação de que um termo tem com as suas extensões literal e metafórica é comparável às relações existentes entre um casal bígamo. Isto é, as duas extensões são igualmente legitimas, verdadeiras e actuantes. Assim gera-se a relação de verdade literal e verdade metafórica.
Para Goodman, aplicar um termo a um objecto que se encontra fora de qualquer das suas duas extensões, é fazer uma afirmação falsa, enquanto que aplicar um termo a um objecto que se encontra numa dessas extensões é fazer uma afirmação verdadeira. Como não há questão de privilégio entre a extensão literal e a extensão metafórica, quer o termo se aplique uma ou a outra não altera a situação de legitimidade. Podemos então afirmar que a verdade metafórica não é mais relativa que a literal. A verdade de uma afirmação depende do sistema de classificação adoptado. Tanto a verdade metafórica como a literal podem ser triviais, inúteis e irrelevantes. No que respeita à verdade metafórica, ela só é eficaz se as afinidades entre o referente literal e o referente metafórico, que põe em destaque, forem convenientes e informativas para o objecto que se tem em vista.
Assim, “Julieta é o Sol” é falso, de acordo com os sistemas usuais de classificar as pessoas. Mas é verdadeiro de acordo com o sistema que aplica o nome do astro que ocupa o centro do sistema solar ( do nosso sistema solar ) à rapariga que produz o enamoramento de Romeu, este sistema encontra-se na obra de Shakespeare. Esta explicação pode ser complementada recorrendo à última metáfora de Goodman: a metáfora da família emigrante.
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Carlos Garcia Pinheiro |