Na aplicação metafórica, um termo não se desloca sozinho mas sim em conjunto com os outros que fazem parte de uma mesma família. Esta deslocação não consiste numa simples redistribuição dos objectos do domínio habitual pelos diferentes membros da família mas na deslocação de toda a família para um novo domínio de aplicação. Este novo “território” pode ser livremente escolhido e as relações que existiam entre os membros da família mantêm-se como no seu domínio de aplicação original.
Um esquema pode muito bem ser transportado para quase todos os domínios mas a maneira como vai classificar os objectos desse novo domínio não é de forma alguma arbitraria. Os hábitos que constituem a nossa competência para usar um termo na sua aplicação literal, determinam a classificação que esse termo vai fazer quando aplicado metaforicamente. A correcção metafórica depende portanto de uma adequação com as práticas linguísticas estabelecidas e a correcção de uma metáfora depende da sua capacidade inovadora. Somente se a nova organização for útil e informativa é que podemos falar de correcção metafórica. Dizer que “Julieta é um planeta” é falso, mas dizer : “Julieta é uma estrela” poderá ser visto como vulgar e pouco interessante. Existem portanto critérios para avaliar a correcção e a verdade de uma expressão metafórica, tal como existem para avaliar a verdade e a correcção de uma expressão literal.
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Carlos Garcia Pinheiro |