A ideia principal desta metáfora remete-nos para o carácter cognitivo das expressões metafóricas, em particular, a sua função económica. Basicamente, esta metáfora, transmite uma ideia de conveniência da utilização de uma palavra já velha mas que deu provas na organização de um domínio, para a organização de um novo domínio. A aplicação metafórica efectua uma repartição dos objectos em conjuntos diferentes daqueles pelos quais estavam repartidos na aplicação literal.
Dizemos que esta aplicação metafórica é, ao mesmo tempo, económica e confortável uma vez que nos permite organizar um novo domínio sem ter de inventar novos termos e ainda porque a familiaridade existente para com a velha palavra nos faz sentir à vontade na sua nova esfera de acção.
Pra Goodman, se toda a actividade cognitiva é uma construção e se toda a linguagem é essencialmente criativa, os usos não literais não constituem problema especial. Isto porque a linguagem metafórica requer mais criatividade que a linguagem literal. Deve contudo notar-se que isto é apenas uma diferença de grau. A metáfora funciona como um convite para explorar o novo domínio de um predicado. Daí o seu papel criativo.
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Carlos Garcia Pinheiro |