Fieldman, em Introduction to the Digital Media (1997), refere cinco características distintivas da informação digital que são a chave de todo o seu potencial: (1) é manipulável, (2) é passível de trabalhar em rede (workable, no original), (3) é densa, (4) é comprimível e (5) é imparcial.
1. Em relação à primeira característica, repare-se primeiro como o processo de reformular uma página com informação ou um objecto físico requer algum tipo de força bruta, num processo difícil e moroso, que normalmente leva a que uma mudança cause alguns estragos à matéria-prima. Ao digitalizar a informação, todavia, esta torna-se infinita e facilmente manipulável, sendo possível reformulá-la livremente, ao toque de uma tecla, e reconstitui-la à vontade.
Fieldman nota ainda que um facto importante é o de a informação digital ser manipulável em todas as suas fases: do momento em que é criada ou capturada em forma digital, ao momento em que é entregue aos seus utilizadores, sendo esta última a chave das possibilidades sem precedentes abertas, por exemplo, à industria de publicações. Uma vez que as informações são manipuláveis no ponto de entrega, os utilizadores podem moldar a sua própria experiência dessas informações, significando isto que a informação manipulável pode ser informação interactiva.
2. Ao afirmar que a informação é passível de trabalhar em rede, em segundo lugar, significa que a informação em forma digital pode ser partilhada e trocada por um grande número de pessoas simultaneamente. Este acesso simultâneo a informação em rede permite distribuir o mesmo conteúdo sem as dificuldades e custos implicados pela distribuição de produtos físicos através de uma cadeia de distribuição, o que implica alterações na própria economia de distribuição de média. E como as redes podem ser de âmbito global, essas pessoas podem estar geograficamente dispersas, o que cria os meios para que surjam novas formas de comunidades electrónicas, organizadas em torno da rede que usam.
3. Em terceiro lugar, a afirmação de que a informação digital é densa significa que é possível armazenar muita informação em forma digital num pequeno espaço físico, com as óbvias consequências práticas. Um exemplo disto é a portabilidade do disco compacto, ou CD; ignorando os diferentes tipos que surgem no mercado, com diferentes capacidades, refira-se apenas o já tradicional CD-ROM (Compact Disk Read Only Memory), o qual, com uma capacidade de cerca de 600 megabytes, pode armazenar dados equivalentes a 650 milhões de caracteres, o que corresponde a mais de 200 000 páginas de texto impresso (Furtado, 2001).
4. Em quarto lugar, afirmar que a informação digital é comprimível significa que, se não for suficientemente densa, é possível comprimi-la, de maneira a que seja possível armazenar mais informação no mesmo espaço físico, a qual pode ser descomprimida a pedido do utilizador. Esta tecnologia é actualmente uma das mais importantes na transição para o digital, devido principalmente à largura de banda.
A largura de banda é o que realmente define a quantidade e a velocidade de informação que é possível transferir de um local para o outro. Fieldman sugere a metáfora do cano: é o cano pela qual a informação circula; se o cano for estreito, a informação circulará mais lentamente e, portanto, em menor quantidade, se for largo, mais depressa e em maior quantidade. Apesar dos constantes investimentos realizados na melhoria da rede física, dos canos, a pressão das exigências dos utilizadores, bem como o crescente tamanho dos ficheiros, colocam problemas à rede física na qual circulam. Além de substituir progressivamente os canos para lhes aumentar a capacidade, num processo lento e dispendioso, é possível igualmente comprimir a informação que neles circula, transformando grandes massas de informação digital em ficheiros mais pequenos quando são enviados, recuperando-os na sua forma original mais tarde, o que aumenta significativamente a qualidade da informação.
5. Finalmente, a afirmação de que a informação digital é imparcial. Refira-se antes de mais que o termo imparcial é usado aqui num sentido meramente técnico, para denotar que os sistemas de computador não se importam com o que os bits e os bytes, bem como os blocos de informação digital que formam, na verdade representam, nem a quem pertencem. O que não significa que seja neutro, embora isso seja outra questão. No que concerne ao computador, desde que o código binário seja compreensível, as operações solicitadas serão efectuadas, independentemente de juízos sobre o bem e o mal, por exemplo.
Embora simplificando um pouco as regras complexas do funcionamento dos computadores, isto significa algo realmente importante sobre a informação digital: se o grande fluxo de zeros e uns não se importa com o que os bits e bytes individuais representam no mundo real, desde que estejam bem constituídos para o mundo digital, então os dados digitais podem representar qualquer forma de informação subjacente. Deste modo, a informação digital pode ser informação multimédia.
Em síntese, as características da informação digital tornam-na interactiva, passível de ser partilhada por comunidades electrónicas, compacta, comprimível e multimédia.
Rui Vaz