Artigo de Opinião In Semana Informática - 14 de Abril de 2003

E-Learning: o motor do desenvolvimento

O e-Learning (e-aprendizagem) é uma nova forma de aprender, comunicar e formar. Mais do que uma ferramenta de formação, é o modo de aprendizagem da sociedade do conhecimento. Disponibiliza dados de modo sistematizado e digitalizados, em directo. Regista aprendizagens. Evidencia soluções colaborativas. Reconstrói o sentido de universidade centrada na busca incessante de soluções.

É um instrumento de reflexão sobre o modo como articulamos ideias e desenvolvemos novas capacidades para resolver os problemas. É uma ferramenta de soluções e o motor do desenvolvimento económico e social dos países nórdicos. É o principal factor de valorização em múltiplas cadeias de conhecimento.

A maioria das universidades ainda não percebeu a sua importância. Permite formar e manter actualizados os professores e funcionários em áreas como a saúde no trabalho, os comportamentos, a instituição, a informática, as metodologias de trabalho e investigação, etc. Para os alunos, é um recurso mais apetecível e aberto que o livro e a biblioteca. Permite diversificar os públicos de formação e criar novos cursos à escala global. Mas, o seu principal valor está no facto de se constituir como a melhor rede de aprendizagem e troca de conhecimentos para a produção de ciência, saber e conhecimento.

As autarquias mantêm-se longe das novas tecnologias e, em particular, do e-Learning. Esquecem que o desenvolvimento deriva da capacidade de acção dos actores locais, da sua competência para encontrar soluções inovadoras para os problemas com que se deparam, ou seja, da sua capacidade de inventarem e aprenderem em conjunto, inseridos em redes globais de aprendizagem. Estão perfeitamente alheadas do seu valor para as gerações da Sociedade do Conhecimento.

As empresas usam o e-Learning para vender e-Formação e não e-Aprendizagem. Raras são as vezes em que os cursos cativam os e-aprendizes. A maioria dos percursos e conteúdos não tem qualidade pedagógica nem comunicacional. Esquece que o essencial é o outro lado, quem aprende. Desacreditam o e-Learning.

Alimentam com gasóleo um sistema que deve funcionar com gasolina. 

Um dia, descobrirão que o negócio do século 21 é a aprendizagem, a criação de conhecimento. O e-Learning é o sistema nervoso das organizações referido por Bill Gates e o motor da Sociedade. Esta tecnologia - com diferentes características - garante a eficácia no sistema de gestão e de produção de conhecimento. 

O e-Learning é a máquina da Sociedade do Conhecimento que articula a aprendizagem (um processo desenvolvido dentro da cabeça de cada um ou de cada organização que relaciona as experiências que temos, o que sentimos e o que pensamos, para dar um sentido ao que fazemos e para resolver os problemas que encontramos). Tal como o motor de um automóvel, permite o aumento da velocidade, funciona de modo rigoroso, mais energético. Gera mais trabalho e faz melhor o que já fazemos: aprender, relacionar e comunicar.

Continuamos a viver como se estivéssemos na época do livro e do correio que demora cinco dias, das capelinhas de conhecimento - mais próximo dos padrões do Chile e da Argentina do que dos países do norte.

Andamos de carroça na era do automóvel.

Não usamos o computador, não temos hábitos de navegação e aprendizagem exploratória. Não sabemos potencializar, gerir e gerar os nossos processos de aprendizagem em comum. Aprendemos mal! E lentamente.

Na escola, somos treinados para decalcar e não para pensar, de modo partilhado, com sentido crítico, os dados com que nos confrontamos. Nas organizações, fazemos o que o mandam os procedimentos e os patrões - muitas vezes, sem margem para a criatividade produtiva. Nos municípios, agimos como o vizinho. 

Colocamos em causa o desenvolvimento porque ainda não demos o salto para a era da aprendizagem suportada pelas novas tecnologias: o e-Learning.