Antropologia

       Aquilo que está no centro da investigação de Warburg são as imagens, mas não apenas as imagens artísticas, nem as imagens artísticas na sua singularidade de obra de arte. Não é que a arte lhe fosse indiferente, ou que o seu tipo de análise reduzisse as obras a um conteudismo, indiferente a questões formais (uma acusação que já lhe foi dirigida por quem, certamente, não percebeu o conceito de Pathosformel), mas desde muito cedo, em 1888, aos vinte e dois anos, manifestou uma forte rejeição por aquilo a que chamou «história de arte estetizante» («asthetisierende Kunstgeschichte»). A sua análise das imagens enquanto fenómenos antropológicos segue uma direcção que não é meramente estética. A teoria da imagem que daqui decorre tem um alcance que entra muito mais no domínio de uma «Kulturwissenschaft», tal como Warburg a entende, do que no domínio da estética. Considerando as imagens como um fenómeno antropológico, Warburg  pode mostrar que elas são uma cristalização, uma condensação significativa do que é uma cultura, num determinado momento da sua história. É isso que os conceitos de Nachleben e de Pathosformel trazem à luz.

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