Falar aqui de Walter Benjamin é evocar um autor que pertence à mesma constelação de Warburg, muito embora com um destino diferente. Uma comparação entre o Bilderatlas Mnemosyne e a Passagen-Werk, ambos projectos inacabados, entre a «imagem dialéctica» de Benjamin e as imagens dotadas de vida póstuma de Warburg, entre a concepção benjaminiana da história (em que o passado é carregado de «actualidade» e nunca está definitivamente concluído) e a teoria da «memória social» de Warburg, chegaria por certo a conclusões interessantes e mostraria alguns pontos de proximidade entre estas duas grandes figuras do pensamento do século XX. Wolfgang Kemp deu um primeiro passo no sentido desse estudo comparativo e reconstituiu as tentativas que fez Benjamin, em 1928, para se aproximar do círculo de Warburg, através de Hofmannsthal. Parece que a reacção de Panofsky, a fazermos fé no que diz Benjamim numa carta a Scholem, não foi nada acolhedora (cf. W. Kemp, «Walter Benjamin und die Kunstwissenschaft, 2: Walter Benjamin und Aby Warburg», Kritische Berichte, III, 1).