Nachleben

       A palavra alemã Nachleben, no sentido que Warburg lhe dá, coloca difíceis problemas de tradução. Gombrich refere-se a essas dificuldades de tradução, na sua biografia intelectual de Warburg: «This usage of  “after-life” [para traduzir Nachleben] is not English, and the nearest equivalent ‘survival’, happens to have been pre-empted in its use precisely by Burnett Tylor who devoted Chapters III e IV of his book to “survivals in culture”» (E. H. Gombrich, Aby Warburg. An Intellectual Biography, 2ª ed., Chicago-Oxford, The University of Chicago Press-Phaidon, 1986, pág. 16). Também Giorgio Agamben, num artigo sobre Warburg, se vê na obrigação de explicar o significado de Nachleben: «O termo alemão Nachleben não significa propriamente “renascimento”, como foi muitas vezes traduzido, nem “sobrevivência”. Ele implica a ideia daquela continuidade da herança pagã que, para Warburg, era essencial» (Giorgio Agamben, «Aby Warburg e la scienza senza nome», Aut aut, nº 199-200, Florença, Nuova Italia, 1984, pág. 55). Num livro recente, L’image survivante. Histoire de l’art et temps des fantômes selon Aby Warburg (Paris, Minuit, 2002), Georges Didi-Huberman coloca a Nachleben no centro de uma leitura de conjunto da obra de Warburg, traduzindo o termo por «sobrevivência». Por discutível que seja, esta tradução é coerente com uma interpretação da Nachleben que a entende como um tempo psíquico, próprio do sintoma, no sentido freudiano.Mas, com esta tradução, Didi-Huberman pretende também referir-se ao que ele considera ser a origem do conceito: «La “survivance”, que Warburg a invoqué et interrogé toute sa vie est d’abord un concept de l’anthropologie anglo-saxonne» (pág. 52). Esse conceito é o de survival, do grande etnólogo britânico Edward B. Tylor, como já tinha referido Gombrich, embora de maneira reticente quanto a uma possível proximidade entre o Nachleben de Warburg e o survival de Tylor.

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