Em Memorie del neutro. Morfologia dell’imagine in Aby Warburg (milão, Mimesis, 2001), Andrea Pinotti pretende mostrar como a concepção warburguiana da imagem se afasta do paradigma histórico. Tal como para Georges Didi-Huberman, a noção de sintoma desempenha aqui um papel muito importante, mais não seja porque Pinotti considera que «a história da arte de Warburg é a tradução em termos figurativos e de imagem deste programa burckhardtiano: é história de arte patológica, na medida em que é virada para a expressão do pathos na imagem» (pág. 81). Mas, ao paradigma histórico, Pinotti não opõe o tempo psíquico, mas o paradigma morfológico. A oposição à tradicional dimensão historiográfico-cronológica dá-se assim por via de uma dimensão morfológica da teoria da imagem que radica na morfologia de Goethe. Tal intuição, não é completamente estranha a Didi-Huberman, que chega a dizer que «Goethe oferecia a Warburg a via de uma morfologia do pathos» (pág. 30). Para dizer logo a seguir: «Nietzsche oferecerá a possibilidade de pensar a sua dinâmica». O que fica mais ou menos explícito é que uma tal morfologia não permitiria pensar a «vida em movimento» para que remete tanto a noção de Nachleben como de Pathosformel. De um ponto de vista que não é o de Didi-Huberman, a morfologia goethiana é de grande utilidade para percebermos melhor porque é que as «sobrevivências», podendo ser confundidas com arquétipos, deles se distanciam. Muito embora, nesta matéria, a hipótese de alguns pontos de contacto entre Warburg e Jung, tratando-se muito embora de uma matéria controversa, não possa ser rejeitada tão sumariamente como faz Didi-Huberman, na denúncia que faz do «arquetipismo».