Enciclopédia e Hipertexto
Itinerário
Guião para um seminário, 10 de Abril, Lisboa 2002
Cristiana Veiga Simão
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Leia as seguintes alíneas (que servem de itinerário à situação presente neste espaço)
e sublinhe as que lhe parecem mais pertinentes para uma posterior discussão.
Tenha em consideração as definições que são sugeridas enquanto simples orientações. |
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1ª definição - happening - "acção artística realizada na presença do público, com frequência integrado no
acontecimento"
- Estamos num happening / não estamos num happening
- Estamos no atelier de um artista onde se realiza um programa de trabalho, apresentado publicamente todas as semanas. (o autor tem planeado fazer 18 inaugurações públicas, o que corresponde à maioridade cívica e jurídica do ser humano).
- Não estamos numa exposição. Uma exposição tem a duração média de um mês, onde
nada tende a ser alterado. As pessoas podem ir à inauguração, visitam a exposição uma ou mais vezes ao longo desse tempo, encontram muitas vezes recensões delas nos jornais (da especialidade ou de carácter
informativo/cultural) e o espaço de exposição fica geralmente do princípio ao fim inalterado.
A exposição rege-se por um programa pré-definido.
- Este espaço é em Belém, não faz parte dos circuitos de galerias. Quem é que aqui vem?
- O autor (o Rodrigo Vilhena), diz que um trabalho "se não é mostrado, não existe".
- Este projecto / experiência de trabalho, obriga o autor a repensar e a refazer
continuamente a "configuração" do espaço, assim como a posição de todos os objectos que nele vão sendo colocados (por si e pelos outros). É um "work in progress" que lhe dá gozo e que é interactivo .
2ª definição - interactivo - "arte interactiva"- arte que prevê uma intervenção directa do espectador. Frequentemente, esta intervenção torna-se possível através de
computadores"
Diz o autor:
- Aceito todas as interacções com o público.
- Tenho uma lista de interacções inaceitáveis: beatas, charros, garrafas de
álcool. Se deixasse ficar tudo o que o público deixa, o espaço ficava um
nojo.
- Tenho um critério que é o de 'eu simplesmente limpo o espaço para as
pessoas', 'elas chegam e isto tem que estar minimamente...'
- Assumo que tem que haver limpeza. Se não limpasse, lavasse,
seleccionasse.. numa
semana, tudo ficaria cheio de pó, de lixo, e já ninguém veria nada.
- Há pessoas (mal intencionadas) que deixam de propósito dejectos (garrafas de cerveja na areia, por exemplo) para ver qual a reacção do autor.
- As participações do público nunca são arte.
- As mesmas participações, quando assinaladas / assinadas, passam a ser arte.
- Tudo está integrado no ambiente.
3ª definição - ambiente - "espaço interior ou exterior totalmente formado pelo artista e que integra o espectador no acontecimento
estético"
- Entra-se no Edifício (ex-Fábrica Nacional de Óptica).
- O espectador é imediatamente integrado.
- O espectador faz parte do evento.
- Ao espectador, a situação agrada-lhe / não lhe agrada
- O espectador vai-se logo embora / recolhe informação
- O espectador voltará aqui mas noutro contexto que não o presente.
- O espectador voltará mais tarde e virá com amigos.
- O espectador detesta espaços saturados, desagrada-lhe o eclectismo.
4ª definição - ecletismo - "procedimento corrente na arte pós-moderna e que se caracteriza pela citação generosa de obras e estilos (históricos) de outros
artistas"
- Estas informações/perguntas/afirmações são aborrecidas e desinteressantes.
- É inevitável citar.
- Estamos condenados à citação: da miséria humana; da política; das fronteiras; da economia/do capital; da globalização (mundialização);da família; do sexo,
etc.
- Para este projecto foram convidados artistas (uns mais conhecidos do "público", outros
menos conhecidos) para fazerem a sua própria intervenção que se torna visível, a partir de cada fim de semana. As intervenções vão-se acumulando. Como identificá-las? Para quê identificá-las?
- Convida-se o público a fazer a sua própria intervenção. (Durante o tempo de exposição pública, em cada fim de semana).
- É impossível dar a devida atenção às obras, quer do autor, quer dos outros artistas
devido ao modo de Instalação.
5ª definição - instalação - "obra de arte que integra o espaço de exposição como uma componente
estética"
- Estamos de visita a uma Instalação / Não estamos numa Instalação
- O que pensa da Fábrica de Óptica Nacional? (Se quiser procure vestígios).
- O que pensa do "White Cube"? ("termo que designa a sala de exposição branca,
neutra que, na arte moderna, substitui as formas mais antigas de apresentação, como por exemplo, pendurar os quadros muito perto uns dos outros sobre papel de parede colorido. O white Cube propõe uma percepção concentrada e sem distracção da obra de arte").
- Como distinguir os objectos presentes neste espaço? (objectos do quotidiano, obras de arte, ready-made?)
6ª definição - ready-made - "É um objecto do quotidiano declarado obra de arte pelo artista e exposto como tal sem alterações
notórias"
- Faça o inventário dos ready-made aqui presentes.
- Seleccione o seu ready-made preferido.
- A casa de banho das senhoras é um ready-made?
- A casa de banho dos senhores contém obras de arte?
As definições operatórias foram retiradas do Glossário incluído no livro
editado por Burkhard Riemschneider e Uta Grosenick,
Art at the Turn of the Millennium, Berlim: Taschen, pp. 564 - 570.