Enciclopédia e Hipertexto

A Máquina-Literatura

Patrícia San Payo

Para Derrida uma dimensão do corpo e da experiência está inscrita desde sempre no texto-máquina, ou seja, desde o momento em que alguém põe em funcionamento a "máquina de escrever" (Papier Machine, 2002) Por outras palavras, o que chama "acontecimento", a dimensão performativa do texto,  o modo como um texto faz/diz a sua verdade,  não pode ser dissociado de um funcionamento maquínico deste; É essa a razão pela qual se afasta das consequências que decorrem da suposta incompatibilidade estrutural que de Man estabelece entre performativo e constativo; para Derrida, antes do funcionamento maquínico, como sua condição, existe um arqui-performativo de promessa: a promessa de se dizer alguma coisa de si próprio, ou do que aconteceu, do que se sabe,  independentemente da indecidibilidade entre ficção e realidade. É o conceito de invenção a que Derrida reconduz o problema da atribuição do sentido na leitura que, enquanto invenção do Outro, abre o texto a uma lógica que subverte o seu contínuo espelhar-se. O que Derrida (e Blanchot) chamaram "acontecimento" designa, também, os modos de preservação legitimação e comunicação determinados pela possibilidade de repetição, de citação, transferência e tradução de um texto que configuram a sua  dimensão performativa.