Enciclopédia e Hipertexto

Totalidade e fragmentos

 

Na linha que vai do natural ao artificial, o humano de hoje, pelo menos nas nossas sociedades, aparece-nos desde o início como mais perto do polo do artificial do que do polo do natural. Lembremos os meios usados no chamado planeamento familiar, as tecnologias de reprodução que não cessam de aumentar, o primeiro olhar sobre o bébé que nos aparece no écran de uma ecografia. A tudo isto, juntemos ainda o imaginário que hoje está associado a todas estas técnicas de intervenção num domínio tão primário quanto fundador da reprodução humana.

Podemos alargar as nossas considerações a outras tecnologias e, nomeadamente às tecnologias de representação, e tentar avaliar o peso dessas mediações relativamente às relações que temos com a nossa história genética, com as deambulações do nosso psiquísmo e com o mundo.

É já lugar comum dizer-se que o humano foi desde sempre homo faber e que, nesse sentido, a técnica é tão antiga como o homem. Não disputo esta afirmação. Mas não me parece que ela ajude muito na análise do imbrincamento actual da biologia com a tecnologica e da convergência das tecnologias de informação com as biotecnologias para a explicação do nosso funcionamento e, sobretudo, para a invenção de modos tecnológicos de intervenção que reponham ou aumentem as capacidades dos indivíduos – o chamado "technological fix"[1]. Se hoje as pretensões do programa da Inteligência artificial são menores do que no seu início, a concepção da Vida Artificial, sob várias formas, continua a mobilizar muitos cérebros e algumas finanças.

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