René Descartes
"Eu
desejo somente repouso e tranquilidade para pensar em meus pensamentos".
Essas seriam as palavras que definiriam o comportamento heurístico do filósofo
Descartes.
René Descartes
nasceu em 31 de março de 1596, em La Haye (França), no seio de uma família
nobre. Com poucos anos de idade, perdeu a mãe, que foi substituída em sua criação
por uma jovem babá, testemunha de que aquela criança questionava tudo e todos.Quando René
completou oito anos, o pai, homem rico e influente, decidiu mandá-lo para o colégio
jesuíta de La Fléche, na época considerado o melhor da Europa, onde o menino
receberia uma educação mais rígida. René não fez boa
carreira como estudante. Dormia sempre até o meio dia, e passava a tarde
a filosofar, porém aprendeu latim, grego e retórica.
Quando deixa o colégio,
Descartes decide aprender o mundo como ele é, sem o auxílio dos livros, dos
papéis ou das penas. Alista-se no exército e vai para a Holanda, a fim de
servir ao comando de Maurício de Orange. O príncipe logo percebe que o jovem
Descartes não tinha hábitos de um soldado comum: lia livros complicados,
falava de uma forma muito erudita e, principalmente, não queria nada com as
batalhas. Adoecia ao início de cada combate, melhorava depois da batalha e, nas
raras vezes em que pegava um fuzil, não disparava nenhum tiro, limitando-se a
aborrecer os outros soldados com perguntas sobre as razões que os levariam a
matar os seus semelhantes.
Em 10 de novembro
de 1619, Descartes tem uma experiência mental extremamente benéfica: na
celebração de uma festa santa, bebeu demais como fazia em todas as festas e,
à noite, teve um forte e tenebroso pesadelo. Este pesadelo era constituído de
três sonhos esquisitos: no primeiro, viu o diabo em pessoa, soprando da torre
de certa igreja e o vento era tão forte que lhe provocava calafrios; no segundo
sonho via, com os olhos da ciência não supersticiosa, uma grande tempestade
que não lhe podia fazer nenhum mal; no terceiro, viu-se recitando um poema que
começava assim : "Que caminho na vida devo tomar..."
No seu livro Geometria
Analítica, publicado em 1637, introduz o nosso conhecido referencial
cartesiano, que, obviamente, a ele deve o seu nome. Descartes demonstrou uma série de teoremas, introduzindo algumas notações algébricas
inovadoras. A ele se deve a utilização sistemática das letras x, y, z para
indicar as incógnitas de um problema; dos símbolos que representam o quadrado
e cubo, e dos sinais de (+) e (-) para representar as operações de soma e
subtração.
No Discurso do
Método, Descartes toma como ponto de partida a universalidade da razão, da
qual todos os homens participam. Identifica no intelecto, dentro de sua pureza,
duas faculdades essenciais : intuição e dedução.
A sua obra, rica e
poderosa, representa uma das mais notáveis e engenhosas concepções da natureza
criada pelo homem. Graças à representação cartesiana, fenómenos tão
vulgares como a variação da temperatura de um doente, ou as flutuações dos
fenómenos atmosféricos, podem ser avaliados por um simples exame das suas
curvas, representadas num sistema de eixos coordenados.
Descartes faleceu
na cidade de Estocolmo a 11 de Fevereiro de 1650.