À entrada da Academia Grega estava escrito Medeis eisito ageometretos, o
que poderia ser traduzido por "não entra quem não souber geometria".
A geometria é um ramo da matemática
da maior importância para a formação matemática dos alunos, para a
aprendizagem de muitas profissões e para compreendermos melhor tudo o que nos
rodeia.
A geometria é composta de 2 palavras
gregas: geos = terra e metron = medida. Esta denominação deve a sua origem à
necessidade que desde os tempos remotos o homem teve de medir terrenos. Ano após ano o Nilo transbordava do
seu leito natural espalhando rico limo sobre os campos ribeirinhos, o que
constituía uma benção, a base de existência dos país dos faraós, que na época
se circunscrevia a uma estreita faixa de terra às margens do rio.
A inundação fazia desaparecer os
marcos de delimitação entre os campos. Para demarcar novamente os limite
existiam os "puxadores de corda", os "harpedonaptas" que
baseavam a sua arte essencialmente no conhecimento de que o triângulo de lados
3, 4 e 5 é rectângulo. As construções das pirâmides e Templos pelas
civilizações Egípcia e Babilónica são o testemunho mais antigo de um
conhecimento sistemático de geometria.
O estudo de cada uma
das geometrias desenvolve determinadas capacidades específicas e, por isso,
todas são importantes no currículo da Matemática. Como exemplos temos :
Muitos foram os que se destacaram no estudo de geometria até Descartes (séc. XVII):
|
|
Mas de entre todos Euclides foi quem deixou uma obra impressionante pela sua
grandeza e actualidade. O segredo do sucesso da obra de Euclides baseia-se
na sua relação com a natureza. Ele parte de axiomas e, a partir deles,
deduz teoremas usando a lógica. Com novos teoremas e definições vão-se
construindo outros teoremas e assim vai-se formando a Geometria Euclidiana,
que é ainda a principal geometria que hoje se estuda.
O primeiro estudo sistemático das cónicas deve-se a Apolónio (260-200
a.c.). Este estudou as cónicas como resultado de secções feitas por um plano
num cone e num duplo cone de base circular. Foi Apolónio que atribuiu às
cónicas a designação ainda hoje utilizada -- elipse, parábola e hipérbole
Um século antes, o matemático Menecmus tinha descoberto as cónicas de forma a
solucionar o problema da duplicação de cor. Foi aí que começou a longa
história que atravessou, durante 2000 anos, o desenvolvimento da matemática.
Ao longo dos tempos a família das cónicas ia sendo vista de diferentes perspectivas e através destas eram descobertas algumas relações entre a matemática e a realidade. Por exemplo, os pintores do renascimento inventaram a perspectiva cónica por meio da qual representavam sobre uma tela plana, com rigor quase fotográfico, objectos de vista tridimensionais quando ainda não tinha sido inventada a fotografia.
Desargues interpretou matematicamente as
intuições e processos dos pintores, criando a geometria projectiva. No seu
trabalho, Desargues explorava o facto de uma circunferência ser vista como uma
elipse quando não a abordamos de frente, e concluiu que as cónicas se podiam
obter umas através das outras por projecção. Portanto o que interessava era
estudar quais as propriedades que se mantinham invariantes por projecções e
assim, das propriedades da circunferência podiam deduzir-se as propriedades das
outras cónicas, o que simplificou muito mais a dedução dos resultados de
Apolónio. Baseando-se nos métodos de Desargues, Pascal escreveu um
"ensaio sobre as cónicas" onde comunica as suas descobertas, entre as
quais, o Teorema de Pascal.
Durante muito tempo pensou-se que as órbitas dos planetas eram circunferências
e que a Terra era o centro. Kepler, em 1610, descobriu que os planetas giram à
volta do Sol, sendo as suas órbitas elipses onde o Sol ocupa um dos focos. Edmund
Halley (1656-1742) foi um matemático e astrónomo inglês,
que usou as cónicas
para prever matematicamente o regresso do cometa, que acabou por ter o seu nome.