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Não
podemos responsabilizar a televisão por todas as mudanças sociais. As
causas são variadas, ligadas às mudanças económicas e políticas, às
misturas socias e culturais, às mudanças na organização da escola e do
trabalho, ao desenvolvimento dos tempos livres e a tantos outros factores.
Contudo temos de admitir, os efeitos negativos que a televisão exerce,
sobretudo nas crianças.
É necessário educar as crianças no uso cultural da televisão,
principalmente no que se refere aos desenhos animados, ajudando-as a ser
exigentes e selectivas, relativamente à grande quantidade de
programação que lhes é dirigida diariamente. Nem toda a programação
infantil é de má qualidade. No entanto é de notar que os programas
menos aconselhados são precisamente aqueles que a maioria das crianças
mais gosta de ver.
A principal responsabilidade recai sobre os pais pois só estes têm a
possibilidade de acompanhar e controlar de mais perto as acções dos seus
filhos. Em segundo lugar, a responsabilidade recai sobre o Estado, este tem
o dever de criar uma sociedade que ajude os pais a educar os filhos.
Rotular os programas e os brinquedos que lhe estão associados, preparar
os professores dando-lhes ferramentas para trabalhar com pais e filhos.
Não devia ser permitida publicidade dirigida a menores de 12 anos, idade
em que começam a perceber as intenções do marketing. Pelo menos nunca
antes dos 7 anos.
Como exemplo podemos referir o caso da Suécia, que teve apenas dois
canais de televisão estatais em que não era permitida nenhuma
programação comercial infantil. Em meados dos anos 80, mais famílias
passaram a receber canais de satélite que incluíam publicidade. Isto
alterou o panorama dos meios de comunicação e resultou em novas
regulamentações de transmissão, que legalizaram a publicidade na
televisão e rádio, em 1991. Contudo, uma restrição permaneceu
intocável - os anúncios destinados às crianças. Vários outros países,
incluindo a Austrália, Áustria e Reino Unido também restringem a
publicidade comercial destinada às crianças. A Suécia tem vindo a
influenciar a União Europeia para persuadir o resto da Europa a aderir a
esta norma.
Quantos mais países fizerem "barulho", mais depressa o mundo
terá de enfrentar o problema. E a União Europeia também devia despertar
para esta questão. Temos que nos mexer a todos os níveis.
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