Marketing na TV


" Muitas vezes as crianças são alvo usado para influenciar os pais na escolha de produtos apresentados na televisão."                                                         Liliane Lurçat, ' Tempos Cativos: As crianças TV '

 

As crianças vêem quatro a seis horas de televisão por dia, durante estas horas não só assistem aos seus programas e séries, mas também a longas sessões de anúncios. Estes anúncios têm um objectivo bem claro, que é estimular a compra de bens materiais. A criança reconhece nos anúncios a roupa, os objectos, os brinquedos (...) elogiados pela publicidade, criando o desejo de os possuir. Por seu lado os pais não querem que os seus filhos  se sintam inferiorizados perante as outras crianças, e satisfazem os seus desejos.
Mais que nunca os conteúdos dos programas infantis têm produtos de marketing associados. Ao verem cada vez mais televisão e por conseguinte os bonecos relacionados com os programas, maior é a necessidade de os possuir e de consumir mais horas de televisão. Embora haja consciência de quanto isso é indesejável, o facto é que cada vez mais, os mais novos são encarados como um "mercado a explorar". Exemplo disso são as promoções e cromos que aparecem associados a determinados alimentos consumidos na sua grande maioria por jovens.
É extremamente difícil afastar as crianças de alguns brinquedos, que possam parecer menos adequados, porque por mais que se lhes diga que não são bons, quando vêem outras crianças felizes a usá-los, desejam sentir-se do mesmo modo.
Estes brinquedos parecem muito excitantes, mas são como uma "droga", pois apenas dão prazer imediato. Os utilizadores ficam com a sensação de terem feito algo com sentido, mas rapidamente se aborrecem com eles.
Ao contrário do que se passava há alguns anos atrás, hoje em dia, as crianças passam uma infância inteira sem ter um brinquedo que as marque, que elas recordem para o resto da vida. Poderá dizer-se então que estamos na era dos brinquedos descartáveis, pois o seu tempo de duração é equivalente ao tempo de vida da série infantil que os promove.
Como diz Diane Levin, Professora de Educação no Wheelock College em Boston, importantes medidas a tomar, com vista a minimizar este problema passariam por: "rotular os programas e os brinquedos que lhes estão associados, treinar os professores dando-lhes ferramentas para trabalhar com pais e filhos e não deveria ser permitida publicidade a menores de 12 anos, idade em que começam a perceber as intenções do marketing".