Porquê incluir crianças com necessidades especiais na Escola Regular?

"A integração de alunos com necessidades especiais no ensino regular e - num contexto mais amplo - a integração na sociedade de toda a espécie de grupos segregados tem sido debatido nas últimas décadas por todo o mundo ocidental"

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Também na última década, no sistema educativo português, se tem assistido a um incremento notável no movimento de crianças com necessidades especiais no contexto educativo regular.

 

Segundo os dados publicados pelo Ministério da Educação, o número de alunos atendidos pelas equipas de Educação Especial (Ensino Integrado) face aos alunos atendidos pelas Escolas Especiais (publicas e privadas) intervem a situação desde 1982 até 1992. Em 1982 o atendimento das escolas de ensino especial era de 79% contra 29% a frequentar a escolas separadas do sistema regular.

 

Toda esta tendência é baseada num sentimento de "normalidade" existente na sociedade em geral, ou seja, de acordo com esta ideia, as crianças desenvolvem melhor as suas capacidades quando inseridas num grupo com as mesmas capacidades, mas não é fácil explicar se se levar em consideração que uma criança cega, surda ou com paralisia cerebral será provavelmente muito diferente das outras crianças, em todos os aspectos.

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Estas diferenças, levam a que os pais e professores tentem proteger as crianças de ouvirem insultos ou sarcasmos por parte dos colegas da escola regular, desta forma podemos considerar que este tipo de alunos estaria mais protegido e o seu desenvolvimento seria melhor quando incluído num pequeno grupo orientado por pessoal técnico especializado.

Na realidade, podemos constatar que hoje em dia, os alunos que frequentam uma escola especial, sofrem as mesmas agressões verbais e sarcasmos dos seus pares quando regressam ao seu seio, aparentando por vezes um nível de auto-estima muito inferior ao dos outros alunos.

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Muitos destes jovens que passam os seus anos de escolaridade em escolas especiais tornam-se dependentes do regime de protecção que recebiam, que quando terminada a sua escolaridade mostram-se incapazes de tomar quaisquer decisão por iniciativa própria, necessitando sempre de alguém que os defenda e proteja nos diferentes meios em que se encontra.

 

Mas, as crianças e os jovens com necessidades educativas especiais não podem simplesmente ser colocados numa sala regular e esperar que a "normalidade" volte automaticamente, é necessário estruturar e desenvolver estratégias adequadas para que uma criança "especial" possa ser incluída" numa situação em que todos a sintam "mais normal" como por exemplo a planificação e desenvolvimento de arranjos no ambiente físico e no ambiente social; a escolha de materiais e equipamentos da sala de aula, manipulação do espaço disponível para os alunos, revisão do papel do professor como iniciador das interacções sociais ou como meio, gestos dessas interacções, a maior ou menor estruturação das actividades próprias na sala de aula.