Organização da aprendizagem

A aprendizagem de uma criança que nunca teve visão é diferente da que perdeu depois de já andar e falar. É essencial que ela tenha acesso a experiências concretas e directas das acções que lhe dizem respeito, que aprenda a realizar sozinha certas actividades e a ter sucesso ao fazê-las.

 

É importante ser aceite nos grupos, especialmente de crianças da sua idade. Para que isso aconteça é necessário que aprenda a cuidar da sua aparência, lavando-se, penteando-se, vestindo-se sozinha, adquira independência a comer, movimentar-se, brincar, etc.

 

Pequenos contactos informais, o braço por cima do ombro ou um toque na mão, ao mesmo tempo que se conversa, podem informar a criança da predisposição para a comunicação.

Muitas crianças desenvolvem a visão e conseguem melhorá-la através da estimulação. Deve encorajar-se a criança a olhar para objectos, pegando-lhes e levando-as ao pé dos olhos.

ef

Se a visão não for usada desde muito cedo não atingirá o seu completo potencial. Quanto mais se praticar, mais se vê. A acuidade visual não aumenta mas a capacidade de a utilizar pode ser desenvolvida.

ef

Se a criança aprender a distinguir melhor os sons, cheiros, texturas e a relacionar com o que vê ou não, dos objectos e situações, o seu conhecimento global do mundo ficará enriquecido. Quanto mais sentidos forem implicados no processo, melhor se pode substituir a sua falta de experiência visual.

A criança que nunca teve acesso a informação visual tem graves dificuldades em se movimentar, isto é, deslocar-se de um ponto para outro, e em se orientar no espaço, saber onde está, para onde quer ir e qual o percurso que tem de percorrer para lá chegar.

 

Antes de mais tem de aprender posições e movimentos porque não pode imitá-los visualmente. Tem de ser estimulada para andar pois não tem a movimentação necessária para o fazer.

 

Para desenvolver a visão residual ao mesmo tempo que os movimentos, pode pedir-se à criança que olhe e procure no espaço objectos, e os vá buscar, que siga brinquedos móveis e sonoros, que distinga as diferenças entre os objectos que estão perto de si e que procure essas diferenças com eles distantes.

Os educadores ao receberem uma criança, devem ajudá-la a familiarizar-se com o espaço da escola para que se oriente e movimente, primeiro guiada e mais tarde sozinha. Se a criança for pequena, deve ir de mão dada com o educador ou com outra criança que segue um passo à sua frente para lhe ir anunciando os obstáculos, indicando os degraus, as esquinas, etc.

ef

Se for uma criança mais velha pode utilizar-se uma técnica de guia que consiste no seguinte:

a A criança segura a parte superior do braço do guia, um pouco acima do cotovelo. O polegar fica virado para fora e os outros dedos na parte de dentro do braço. Os braços de ambos devem ir encostados ao tronco, de modo que a criança vá um pouco atrás, lendo os movimentos que o guia lhe transmite através do contacto do braço e do corpo.