Estratégias e recursos

As técnicas e recursos de que a criança dispõe para aprender servem também, muitas vezes para enriquecer a educação das crianças da classe.
A aprendizagem da leitura e da escrita para uma criança cega, significa a iniciação numa técnica de comunicação escrita destinada a pessoas cegas - o sistema Braille. Consiste numa combinação de pequenos pontos em relevo, perceptíveis ao tacto e que podem ser feitos com uma máquina especial para o efeito ou manualmente com o auxílio de uma matriz perfurada e de um estilete. Normalmente um professor do ensino regular não necessita dominar essa técnica. Deve recorrer ao professor de apoio, caso seja possível.

O professor pode ensinar a ler, um aluno com visão deficiente, recorrendo para isso a técnicas e materiais adequados. Para que as lições sejam bem acompanhadas pelos alunos, é necessário que prepare material com antecedência, copiando textos, destacando frases, elaborando fichas de observação ou de síntese, escrevendo palavras novas que vai utilizar, etc.
Para esse efeito usará:
R marcadores negros ou de cor sobre papel branco e baço;
R acetatos, de preferência amarelos, colocados em cima da página impressa. Escurem as letras e aumentam o contraste do papel;
R letras e números de madeira, plástico ou cortiça, pintados de cor viva;
R livros não muito coloridos nem brilhantes com ilustrações simples relativas a cada objecto, e letras e objectos não sobrepostos.
Ao copiar textos para o aluno, o professor deve:
i desenhar letras grandes, espaçadas, com intervalo entre linhas;
i utilizar um tipo de letra arredondada ou que não tenha letras semelhantes;
i não usar itálico;
i semicerrar os olhos para ver se consegue ler o que está escrito;
i fotocopiar e ampliar textos;
i desenhar diagramas simplificados, sem excessivo pormenor.
Para certas disciplinas há estratégias e recursos específicos. Por exemplo:
D para o ensino da matemática usam-se ábacos, conjuntos de materiais tridimensionais e representação em relevo de esquemas, diagramas e figuras geométricas, bem como balanças e medidas;
D ao ensinar conceitos abstractos deve partir-se da resolução de problemas concretos;
D certas noções, como a de fracção, devem ser concretizadas. Através do tacto a criança sente a unidade dividida inteira, relacionando o todo com as partes. Há um equipamento chamado cubaritmo que permite às crianças cegas efectuarem cálculos aritméticos simples. Consiste numa pequena base plástica com um quadriculado cavado com pequenos espaços, onde são inseridos os cubaritmos que têm nas faces símbolos Braille para números ou outros indicadores em código.