Almada Negreiros

 

Outro exemplo da tendência abstraccionista da segunda fase da obra de Almada, fruto das pesquisas ligadas à sua obsessão pelo número, é o painel «Começar». Esta obra é o grande testamento espiritual do Mestre Almada Negreiros, o documento fundamental do seu neopitagorismo. Pela primeira e última vez desvendou as suas intenções e pesquisas desenvolvendo no mural os motivos geométricos enumerados em « O Número».

O painel, gravado em pedra no átrio de entrada do edifício principal da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, foi uma das últimas obras de Almada Negreiros. O painel consiste na sobreposição de alguns traçados geométricos resultando numa construção geométrica intrincada, onde linhas rectas e linhas curvas se cruzam por um processo elaborado e criativo.   

      



«Começar»
1968/69,
Fundação Calouste Gulbenkian

(clique sobre cada um dos detalhes para obter uma descrição)

 

 

Frase incrita em «Começar»

 

O seu testamento espiritual data de 1968 mas foi inaugurado apenas em 1969. Em 1970 Almada morre. Não se sabe se Almada Negreiros atingiu o traçado do Ponto de Bauhütte na sua totalidade, mas morreu "pleno da certeza de que há uma ratio hermetica, de que existe uma «chave»  que os homens esqueceram e cuja procura é urgente «começar : esta certeza - escreveu já perto do fim - é a minha cegueira com a qual parto para toda a parte. Para Luz. Para plenitude»" (Freitas, 1985).