Iannis Xenakis
(1922- 2001)

 

Compositor francês de naturalidade romena e ascendência grega. Possuindo uma formação académica de arquitecto e engenheiro civil, inicia-se na música de uma forma autodidacta.
Quando deflagra a Segunda Guerra Mundial ingressa nas fileiras da resistência comunista, onde sofre um acidente que lhe deixa para sempre uma cicatriz na cara e o faz perder a visão do olho esquerdo. Em 1947 muda-se para Paris e aí toma contacto com Hanegger, Milhaud e Messiaen, com quem estuda composição.

Ao mesmo tempo começa a trabalhar como arquitecto para Le Corbusier, ajudando a desenvolver conceitos arquitectónicos revolucionários que envolvem cálculos complexos, proporções, linhas e curvas de pressão. Gradualmente começa a integrar estes princípios na composição musical, sendo a sua primeira obra, Metastasis (1955), fortemente inspirada nas linhas do Pavilhão Philips para a Exposição de Bruxelas.

 

Pavilhão Philips 
Le Corbusier

O edifício baseia-se em superfícies derivadas de uma mesma linha parabólica

 

Foi um dos primeiros compositores a recorrer ao computador na composição musical e, para estimular a investigação, fundou em 1966 o Centre d'Ètudes de Mathematique et Automatique Musicales (CEMAMU). Em virtude de ser um dos compositores que melhor exercitou a relação íntima entre música e matemática, a Gulbenkian dedicou-lhe no ano passado os seus Encontros de Música Contemporânea, que decorreram no âmbito do Ano Internacional da Matemática.


Poucos dias antes da conclusão deste trabalho, o mundo tomou conhecimento da partida do arquitecto-matemático-músico. A sua última composição foi O-Mega (1997) , a última letra do alfabeto grego.

 

Alguns conceitos matemáticos utilizados na obra de Xenakis:

 

Desde o tempo de Aristoxenus e Euclides que música e matemática andam intimamente ligadas. Na Idade Média, na Europa, o estudo da música nas universidades incluía automaticamente o estudo de aritmética, geometria, arquitectura e astronomia - tudo ciências baseadas no número.

A matemática e a música apenas se distanciaram no período Romântico, quando a primeira se tornou directamente expressiva em termos dialécticos e emocionais.