Ponto de Bauhütte

 

Entre os séculos VIII e XI, as grandes abadias beneditinas agruparam à sua volta escolas de arquitectos dirigidas pelos monges da ordem. Esses núcleos de mestres-de-obras, artesãos e pedreiros, quer laicos, quer eclesiásticos, reagruparam e conservaram os textos e documentos da ciência da proporção da Antiguidade Grega e Alexandrina, que chegaram até nós, e além disso, transmitiram a mística pitagórica dos números. 

A partir da época das cruzadas, os arquitectos, construtores e pedreiros do Santo Império Germânico, incluindo as da Suíça e dos países limítrofes de língua germânica, embora mantendo íntimos laços com a igreja, passaram a organizar-se em sociedades semi-secretas inteiramente laicas, criando a  Bauhütte. Esta associação era de certo modo, um prolongamento dos antigos colégios de construtores anteriores à queda do Império Romano do Ocidente. 

Os sinais lapidares, ou siglas, que no período bizantino eram constituídos pelas letras do nome reunidas em monograma, transformaram-se na época românica, e posteriormente no gótico, em traçados puramente geométricos desprovidos de letras. O arquitecto vienense Franz Rzika, para um seu estudo sobre sinais lapidares, recolheu na Europa cerca de 9000 marcas lapidares e encontrou as chaves geométricas das mesmas. São elas constituídas, sem excepção, por quatro matrizes, e cada matriz-tipo por um diagrama geométrico correspondente a uma das quatro grandes Lojas de construtores: Loja de Estrasburgo, Loja de Colónia, Loja de Viena, e Lojas de Berna e de Praga. (Freitas, 1990)  

As quatro matrizes formavam a "rede fundamental" e serviam também, além do traçado de siglas, no desenho de capitéis, campanários, rosáceas, etc. Mas, para obter todos os traçados usados pelo construtores do gótico, quer no desenho das rosáceas e outros pormenores, quer ainda na composição de plantas e alçados, no dimensionamento e proporcionamento global das edificações, é necessário acrescentar uma quinta matriz à rede: o Ponto de Bauhütte. Esta não aparece em nenhuma sigla lapidar, constituindo provavelmente o grande segredo geométrico dos mestres construtores do gótico, só acessível no último grau de iniciação .

 A propósito do Ponto de Bauhütte, Almada transcreveu assim o velho ditado da Bauhütte transformado em quadra.


Um ponto que está no círculo
E que se põe no quadrado e no triângulo.
Conheces o ponto? tudo vai bem.
Não o conheces? tudo está perdido.


Este segredo da arquitectura e da pintura clássica foi imagem obsessiva para Almada que durante dezenas de anos, tentou descobri-lo.