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O
princípio básico da escola pitagórica era “Tudo é harmonia e número”; o
caos que parecia existir no universo não era mais do que o resultado da ignorância
dos homens. Seriam os números e as suas relações que explicariam toda a ordem
universal. |
Filósofo grego, nasceu na ilha de Samos, na margem do Egeu, e
supõe-se
ter sido um místico, um cientista e um estadista aristocrata. Professava moral
elevada e obrigava os seus discípulos a levarem uma vida austera, dedicada ao
estudo e à meditação.
Estudou sobre a orientação de Thales de Mileto e, a conselho deste, desde 560 a.C. terá viajado pela Ásia Menor e pelo
Egipto, à semelhança de muitos filósofos gregos, onde estudou geometria com
os sacerdotes eruditos, cujo saber havia fascinado Thales.
Permaneceu alguns anos em Tebas, no Egipto, onde frequentou os templos e ouviu os sacerdotes e adivinhos, conviveu com faquires macilentos, observou os encantadores de serpentes e encontrou-se muitas vezes com os curandeiros errantes do deserto.
Com os sacerdotes de Mênfis, iniciou-se no estudo das ciências ocultas, aprendeu as regras do cálculo e chegou a conhecer recursos e artifícios da magia egipcía.
Escreve, em nota, o historiador Fernando de Almeida Vasconcellos: "Pitágoras ávido de instruir-se, consentiu em sofrer a circuncisão, no Egipto, afim de ser admitido no número dos iniciados a colher, nesse país, os princípios da ciência e o seu sistema de metempsicose".
Por volta de 532 a.C. diz-se que voltou à
terra que o viu nascer, mas por pouco tempo, pois tornou a partir para o sul de
Itália, Crotona, onde fundou não uma simples escola, mas uma comunidade filosófica,
religiosa e política denominada Escola Pitagórica.
Em Crotona fez amizade com um certo Mílon, homem rico, muito estimado e chefe de poderosa facção política.
Amparado pelo bondoso Mílon fundou uma espécie de curso que passou a ser frequentado por cidadãos de todas as classes sociais e até por mulheres, apesar da proibição.
Entre os seus ouvintes mais atentos estava a jovem Teano, filha de Mílon, seu amigo e protector, e é com ela que acabou por casar.
Os ensinamentos veiculados nessa escola eram
tidos pelos participantes como bastante preciosos e, por isso, os encontros de
estudo eram mantidos em segredo. Supõe-se que abordassem diversos aspectos do
conhecimento, da Filosofia à Matemática e Astronomia.
Crê-se ainda, que grande parte desses ensinamentos se tenham perdido ou mesmo sido modificados ao serem transmitidos. O que se sabe é que as actividades do grupo geraram desconfianças, e Pitágoras precisou de fugir da região na última década da sua vida, tendo-se refugiado em Tarento, onde foi assassinado durante uma revolta. Um grupo exaltado cercou a casa em que se encontrava Pitágoras e incendiou-a. O filósofo, sua esposa e alguns discípulos pereceram nesse incêndio.
É também a Pitágoras que se deve a divisão das ciências matemáticas
em quatro partes: a Aritmética (quantidade discreta estática), a Geometria
(grandeza estacionária), a Música (quantidade discreta em movimento) e a
Astronomia (grandeza dinâmica). Esta classificação viria a constituir o
Quadrivium, isto é, uma parte substancial das sete artes liberais do curriculum
medieval, que se completava com o Trivium, (gramática, dialéctica e retórica).
No campo da Astronomia, foi o primeiro a
afirmar, no mundo grego, que a Terra era esférica. Para Pitágoras o sol, a lua
e os planetas apresentavam órbitas próprias. Isto permitia-lhe concluir que
esses astros não estavam à mesma distância que as estrelas, mas que cada um
deles se situava numa camada esférica mais próxima. No centro dessas camadas
concêntricas estaria a Terra.
São-lhe atribuídas a invenção da tábua
da multiplicação, do sistema decimal, das proporções aritméticas, geométricas
e harmónicas, e de várias propriedades dos poliedros regulares, apesar de ser
mais conhecido entre nós, pelo teorema geométrico com o seu nome.
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