Origem do Zero
O zero parece ter surgido na civilização babilónica. Esta usava o sistema sexagesimal e apenas duas marcas para representar os números, uma cunha simbolizava o 1 e uma dupla cunha representava o 10. Neste sistema de contagem, cada símbolo, consoante a posição que ocupava no ábaco, podia representar diferentes números.

Os babilónicos escreviam números com espaços vazios nas casas em que se verificava a ausência de unidades e terão tido a ideia de atribuir um símbolo – um ponto - a esses espaços vazios, para os preencherem.
O zero aparecia, mas não tinha valor numérico, era apenas um marca-lugar.
O marca-lugar zero terá sido levado da Babilónia para a Índia. Os hindus terão adoptado o sistema numérico babilónico com uma pequena diferença, a base desse sistema seria 10 em vez de 60.
Os nossos números desenvolveram-se a partir dos símbolos usados pelos indianos, ao contrário do que se poderia pensar, uma vez que a nossa numeração é conhecida por numeração árabe.

Evolução do sistema numérico hindu
Os árabes foram apenas os responsáveis pela introdução deste novo sistema de numeração no Ocidente, aquando das invasões muçulmanas.
A origem do símbolo para o zero não é certa. Conhecida é a designação dada pelos hindus ao símbolo que passou a representar a coluna vazia do ábaco: sunya, que significa “vazio”. Em árabe, esse símbolo foi designado por cifer, e depois por zefir, vindo a designar-se depois por zero.
O zero surgiu assim associado ao vazio, ao nada. Mas qual seria o seu valor numérico? Onde colocá-lo na linha dos números.
Só faria sentido aparecer num lugar: entre o –1 e o 1, a separar os números negativos dos positivos.
Sem o zero a nossa série numérica seria
...,-4, -3, -2, -1, 1, 2, 3, 4,...
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Fazendo: |
4 – 3 = 1 |
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2 – 1 = 1 1 – (-1) = 2 -1 – (-2) = 1 -2 – (-3) = 1
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Ou seja, falta qualquer coisa entre o –1 e o 1, não é?
Sim, falta o zero. O zero só faz sentido aparecer entre eles, assim como só faz sentido o 3 aparecer entre o 2 e o 4 e não em qualquer outro lugar da linha dos números.
É este valor de nada que marcou uma nova perspectiva no raciocínio lógico do Homem. Como é que nada, vazio, não poderia ser simplesmente ignorado? Afinal, nada é nada.
Mas este nada não é simplesmente nada. Este nada é alguma coisa! E ao marcar pela diferença, é tudo!