Mas durante o Renascimento, o zero e o infinito foram corroendo a filosofia aristotélica que vinha dominando o pensamento, e abriram caminho à revolução científica.
Foi através da arte que o zero começou a revelar o seu poder infinito. E então, o vazio e a infinidade espalharam-se por toda a parte!
Antes do século XV, na sua maioria, as pinturas e os desenhos eram planos sem vida, apresentando imagens distorcidas e bidimensionais.

Gravura de um torneio medieval
Em 1425, Fillipo Brunelleschi (1377 - 1446), um arquitecto italiano, colocou um ponto no centro de um desenho de um edifício florentino – o Baptistério. Este ponto – o ponto de fuga – representava na tela um lugar infimamente longe do observador e à medida que os objectos retrocedem em distância na pintura, vão ficando cada vez mais próximos desse ponto.

Ponto de fuga
Ora, todos os objectos suficientemente distantes são esmagados num único ponto – objecto adimensional, zerodimensional – e portanto, desaparecem. Assim, “o zero no centro da pintura contém uma infinidade de espaço”(Seife, p.84).
Brunelleschi conseguia, assim, simular um edifício tridimensional. “O zero estava, literalmente, no centro da pintura de Brunelleschi. Era o ponto de fuga...”(Seife, p.85).

Baptistério
Leonardo da Vinci (1452 - 1519) viria depois a escrever um livro sobre como desenhar em perspectiva, ele descobrira a forma de desenhar realisticamente.
Qualquer objecto poderia, agora, ser desenhado em três dimensões. O zero havia transformado o mundo da arte!