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O De Crepusculis é considerado por vários autores, a obra-prima de Pedro Nunes, sendo considerado habitualmente como o seu trabalho mais importante. Vejamos algumas opiniões de autores conhecidos: « Enfim só por si, justifica a glorificação astronómica que a Pedro Nunes foi dada, atribuindo o seu nome a uma das crateras da Lua.» (M. A. Peres, 1943)« A sensibilidade científica do geómetra português é ainda mais apurada e com ela subiu a alturas nunca até então atingidas no De Crepusculis, talvez a sua obra mais bela e mais original.» (S. Ventura, 1985)« (…) A explicação exacta pertence ao nosso insigne cosmógrafo e assinala um dos mais altos títulos de glória científica do autor do De Crepusculis universalmente reconhecida, e de que, aliás, teve plena consciência, como sábio que ao mesmo tempo investigava o não sabido e se não poupava a esforços para estar ao corrente do saber coetâneo, (…)» (J. Carvalho, 1987)
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O prefácio do De Crepusculis é dedicado ao Infante D. Henrique, o futuro Cardeal-Rei, de onde foi tirado o seguinte excerto: « (…) Há dez anos que vós, Rei mui Liberal, me mandastes ensinar-lhe as ciências matemáticas. Com muito zelo e em pouco tempo aprendeu êle os Elementos de Aritmética e geometria de Euclides, o Tratado da Esfera, as Teóricas dos planêtas, parte da Magna Composição dos Astros, de Ptolemeu, a Mecânica de Aristóteles, tôda a Cosmografia, e a prática de alguns instrumentos antigos e de outros ainda que eu havia inventado para a arte de navegar. Se tivesse dispensado mais tempo a êstes estudos, sairia acabado nas ciências matemáticas; impunha-se, porém, que abraça-se a vida eclesiástica e se entregasse aos excelentes estudos da Teologia, o que, aliás, não obsta a que proponha diariamente algum problema de árdua, difícil e subtil resolução, e porque o tempo lhe não consente que se dedique às respectivas demonstrações geométricas, comete-me, por isso, essa tarefa.» (Pedro Nunes, 1943)
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Página de Rosto
do De Crepusculis
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A partir desta leitura podemos concluir que foi a curiosidade do Infante D. Henrique, sobre a extensão dos crepúsculos em diferentes climas, que originou o De Crepusculis. A questão do crepúsculo baseava-se principalmente, na resolução de dois problemas:
Pedro Nunes mostra-nos nesta obra os resultados que obteve:
O processo para medir a duração dos crepúsculos foi usado por Pedro Nunes a partir do Castelo de São Jorge, em Lisboa, no dia 1 de Outubro de 1541. No De Crepusculis, citando Pedro Nunes: « Em Lisboa decorrendo o ano de Salvação de 1541, no Iº de Outubro à tarde, estando o céu sereno, observei, do ponto mais alto do castelo da cidade, quando já não havia claridade na banda ocidental, a estrêla do Coração do Escorpião, tendendo para o ocaso, e verifiquei que ela se elevava 5 graus acima do horizonte.»Sabe-se que, após alguns cálculos acerca do problema, Pedro Nunes conclui que a duração do crepúsculo, naquele dia, foi de 1 hora, 22 minutos e 24 segundos, exactamente. O problema do crepúsculo mínimo foi estudado século e meio mais tarde pelos irmãos Bernoulli. Nesta obra, Pedro Nunes introduz a construção de um instrumento para determinar rigorosamente os ângulos de altura dos astros. Esta invenção de Pedro Nunes, designada por nónio, viria-lhe a dar grande fama, tanto ao nível nacional como ao nível internacional.
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