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Tratado da Sphera

 

Página de Rosto do Tratado da Sphera, 1ª Edição (1537)
  «(…) A sciencia não trata das cousas que sam somente ymaginarias, falsas ou ympossiveis, mas das certas e verdadeiras, as quaes todas tem nome em qualquer lingoagem por muito barbara que seja.»
(Pedro Nunes – Tratado da Sphera, 1537, Dedicatória ao Infante D. Luís)

 

 

Tratado de algumas dúvidas de navegação

        Nesta obra, Pedro Nunes tenta responder a algumas dúvidas e a alguns problemas práticos de navegação que lhe foram colocados por Martim de Sousa, fundador das primeiras colónias que Portugal teve no Brasil. Dúvidas essas que foram suscitadas pela viagem que fez do Brasil, nomeadamente da cidade de Rio de Prata, para Lisboa (1531-1533).

        O navegador Martim Afonso queria saber qual era a direcção rigorosa em que deveria viajar desde o Brasil até Portugal.

        Pedro Nunes descobre que existem duas possíveis trajectórias para um navio no alto-mar, claramente distintas: a ortodromia e a linha de rumo (que mais tarde se veio a chamar loxodromia).

        Podemos dizer que a curva loxodrómica é uma das grandes descobertas de Pedro Nunes, uma vez que veio a ter grande reflexo na Cartografia e a influenciar decisivamente a nossa visão do mundo e a forma de o representar.

  Tratado em defensam da carta de marear

      Nesta obra, Pedro Nunes define novamente as suas lihas curvas irregulares (loxodrómicas) e também enuncia duas propriedades desejáveis para a construção dos mapas:

  • Preservação de ângulos;

  • Representação de linhas de rumo por linhas rectas.

        Foi o conhecimento destes requisitos que permitiu a Mercator a construção do sistema de projecção de mapas que tem o seu nome e que na altura se tornou tão útil para a navegação, sendo ainda hoje um dos mais utilizados.

        Neste tratado Pedro Nunes ocupou-se também de mais dois assuntos. São eles:

  • Processo para determinar as latitudes baseado nas alturas extra meridianas do sol;

  • Processo para encontrar a declinação magnética.

      Em relação à latitude, era sabido como determiná-la observando a altura do sol ao meio-dia (coisa que se tornava impossível se o céu estivesse nublado).

Pedro Nunes investigou formas que permitissem determinar a latitude do lugar em qualquer hora do dia, desde que houvesse sol. Este processo implicava o recurso a alguns instrumentos:

  • um globo (ou "poma");

  • um "instrumento de sombras";

  • e um astrolábio.

        Quanto ao problema da declinação magnética por observações solares, é de salientar que teve bastante sucesso na sua aplicação prática e que foi um avanço sobre as técnicas anteriores.

 

 

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