Matemáticos | Aplicações | Portugal
![]()
Notas
Históricas
As
origens da trigonometria são incertas.
Já no antigo Egipto é possível encontrar problemas relacionados com a construção
das pirâmides e que envolvem a co-tangente referidos no
Papiro
de Rhind
e uma notável tábua de secantes na tábua babilónica cuneiforme de Plimpton
332 algo semelhantes ás actuais tábuas trigonométricas.
Desde os
tempos de Hamurábi, - sexto rei ( 1793-1759 a.C. ) da primeira dinastia
da Babilónia. – que os babilónios possuíam um sistema numérico e uma
geometria. Eles adoptaram um sistema de numeração em que tanto a base como o
modo de ler era variável e os sinais para representar os números cuneiformes,
isto é, antigas escritas (dos Assírios, persas e medos) cujos caracteres têm a
forma de cunha. Os babilónios empregaram sistemas decimais e fracções sexagesimais
nas tabelas para calcular peso e volumes. Os astrólogos, que procuravam
relacionar os acontecimentos diários com a posição dos astros, promoveram
algum aperfeiçoamento empírico, estabelecendo regras operacionais e resolvendo
alguns problemas aritméticos. São conhecidos vários documentos que contêm tábuas
de multiplicação, de divisão, de quadrados e raízes quadradas, de cubos, de
progressões aritméticas e geométricas e algumas tabelas particulares
provavelmente empregues em cálculos especiais. O maior número que integra os
documentos já decifrados é da ordem de 608. O sistema de fracções sexagésimais,
foi passado à Grécia e posteriormente à Europa, sendo até hoje clara a sua
influência, que se perpetuou através do hábito de medir o tempo e os ângulos.
O
desenvolvimento da trigonometria está bastante ligado à astronomia. Os astrónomos
babilónicos dos séculos IV e V a.C. obtiveram várias informações que foram
transmitidas para os gregos, foi essa astronomia primitiva que deu origem à
trigonometria esférica.
Hipocrates
de Chios (430 a.C.) é considerado
o primeiro a estudar as relações entre o arco de circunferência e a corda
correspondente criando, assim, a primeira antepassada das tábuas trigonométricas.
Pitágoras,
(séc. VI a. C.) filósofo e matemático grego, nasceu na cidade de Samos,
fundou uma escola em Crotona (colónia grega na península itálica), cujos
princípios foram determinantes para evolução geral da matemática e da
filosofia ocidental. A observação dos astros sugeriu-lhes a ideia de que uma
ordem domina o universo. Nessa visão, também concluiu que a terra é esférica,
estrela entre as estrelas que se movem ao redor de um fogo central. Alguns pitagóricos
chegaram até a falar da rotação da Terra sobre seu eixo, mas a maior
descoberta de Pitágoras ou dos seus discípulos (já que há obscuridades que
cercam o pitagorismo devido ao carácter religioso e secreto da irmandade)
refere-se às relações entre os lados do triângulo rectângulo, que consiste
em provar que a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.
Os egípcios já sabiam que um triângulo cujos lados são 3, 4, 5 tem ângulo
recto, mas os pitagóricos foram os primeiros a conseguir uma prova da proposição
geral.
Thales
de Mileto (séc. VI a. C). viajava muito pelos centros antigos de conhecimento e
deve ter obtido informações sobre astronomia e matemática, aprendendo
geometria no Egipto e na Babilónia. Entrou em contacto, sob o governo de
Nabucodonosor, com as primeiras tabelas e instrumentos astronómicos e diz-se
que em 585 a.C. conseguiu predizer o eclipse solar que ocorreria nesse ano,
assombrando os seus contemporâneos. Destacou-se também pelos seus
conhecimentos de meteorologia. Discípulo dos egípcios e caldeus, recebeu o título
"primeiro matemático verdadeiro”, tentando organizar a Geometria de
forma dedutiva. Determinou
a altura das pirâmides do Egipto. Um
resultado dos seus estudos
que
conhecemos hoje é um "Teorema de Thales"
segundo o qual, um ângulo inscrito num semicírculo é um ângulo recto.
O
grande cientista e inventor grego,
Arquimedes (séc. III a.C.) viveu na
cidade de Sicarusa, uma colónia grega situada na Sicília, Sul da Itália,
adquiriu uma sólida formação em matemática e um grande interesse pela ciência.
Descobriu as leis da alavanca e da roldana; essas descobertas levaram à construção
de máquinas que podiam deslocar facilmente cargas pesadas: " Dêem-me
um ponto de apoio e eu moverei o mundo", nesta frase referia-se
à maneira pela qual uma alavanca permite um homem mover objectos muito mais
pesados do que ele. Também descobriu um meio de determinar um valor mais exacto
para o número π (a razão do comprimento de uma circunferência e o seu diâmetro).
Na sequência do trabalho que desenvolveu para calcular o perímetro de uma
circunferência, dado o respectivo raio, calculou o comprimento de grande número
de cordas e estabeleceu algumas fórmulas trigonométricas.
Erastótenes (séc.
III a.C.) conseguiu calcular a medida do raio da Terra.
O
famoso astrónomo grego
Hiparco (séc. II a.C.), considerado o pai da
Astronomia, é também considerado o iniciador da Trigonometria. Influenciado
pela Matemática babilónica, desenvolveu métodos para a determinação
de locais na superfície terrestre, introduziu o sistema de localização por
latitude e longitude, dividiu o ecúmeno segundo zonas climáticas, criou um método
de projecção estereográfica para a cartografia. Os babilónicos, acreditavam
que a melhor base para realizar contagens era a base 60, pelo fato do número 60
ter muitos divisores (1,2,3,4,5,6,10,12,15,20,30,60), e poder ser facilmente
decomposto num produto de factores, o que facilitava muito os cálculos,
principalmente as divisões. Hiparco também escolheu um múltiplo de 60 ao
dividir a circunferência. Cada uma das 360 partes iguais em que a circunferência
foi dividida recebeu o nome de arco de 1 grau, cada arco de 1 grau foi
dividido em 60 partes iguais e cada uma dessas partes recebeu o nome de arco
de 1 minuto, cada arco de 1 minuto também foi dividido em 60 arcos de 1
segundo. Hiparco de Nicéia
ganhou o direito de ser chamado "o pai da trigonometria" pois na
segunda metade do século II a.C., fez um tratado em doze livros que se ocupa da
construção do que deve ter sido a primeira tabela trigonométrica, uma tábua
de cordas.
Aristarco
(sec. II a. c.) determinou a distância relativa da Terra ao Sol e da Terra à
Lua.
Foram
os gregos que pela primeira vez fizeram um estudo das relações entre ângulos
(ou arcos) num círculo e os comprimentos que subentendem. Nas obras de Euclides
já existiam teoremas equivalentes a leis ou fórmulas trigonométricas. Em Os
Elementos é possível encontrar as leis do co-seno para ângulos obtusos e
agudos, respectivamente, nas Proposições II.12 e II.13, porém enunciadas em
linguagem geométrica.
Teon de
Alexandria menciona um tratado de Cordas num círculo,
em seis livros, escrito por
Manelaus de Alexandria, que se perdeu assim
como vários outros dos seus tratados. Felizmente o seu tratado Sphaerica
(100 a.C.), em três livros, preservou-se numa versão árabe e é o primeiro a
referir-se a triângulos esféricos.
No
Livro I estabelece uma base teórica para estudo dos triângulos esféricos
assim como
Euclides fez para os triângulos planos, com teoremas usuais
de congruência e teoremas sobre triângulos isósceles entre outros. Além
disso, contém um teorema que não possui um análogo euclidiano “dois triângulos
esféricos são congruentes quando os ângulos correspondentes são iguais”
(ele não fazia distinção entre triângulos esféricos congruentes e simétricos).
Estabelece-se também o fato de que a soma dos ângulos de um triângulo esférico
é maior que 180°. O Livro II contém teoremas de interesse da astronomia e no
livro III desenvolve-se a trigonometria esférica através da proposição
conhecida como teorema de Manelaus.
Ptolomeu
(séc. II), nasceu na cidade de Ptolomais, à beira do rio Nilo, defendeu o
mundo geocêntrico (a Terra como centro do universo) que foi assim considerada
durante cerca de 1500 anos! Era um observador e não um astrólogo de cadeira.
Porém a mais influente e significativa obra trigonométrica da antiguidade foi
a Syntaxis matematica, obra escrita por Ptolomeu que contém 13 livros.
Este tratado é famoso por sua complexidade e elegância, e para distingui-lo de
outros foi associado a ele o superlativo magister ou "o maior".
Mais tarde na Arábia chamaram-no Almagesto, por designação da língua,
e a partir de então a obra é conhecida por esse nome.Na sua obra Almagesto,
onde compilou os conhecimentos existentes na época sobre Astronomia e
Trigonometria, há uma tabela de cordas correspondentes a diversos ângulos por
ordem crescente, de 0º a 90º com incremento de 15”, e em função da metade
do ângulo , o que é equivalente a uma tabela de seno. Ptolomeu procurou
aplicar os conhecimentos obtidos de Geometria à Trigonometria e à Astronomia e
estabeleceu várias identidades trigonométricas e ainda considerou três eixos
rectangulares para fixar um ponto celeste.
No
século VIII, houve importantes trabalhos de hindus
que foram traduzidos para árabe e
responsáveis pelas notáveis descobertas feitas pelos matemáticos árabes
sobre a Trigonometria. De
entre os árabes o destaque vai para
Al’Bâttani (850-920)
cuja Astronomia era conhecida na Europa como Albategnius. No livro “O
movimento das estrelas” podem encontrar-se fórmulas como
b=[a*sen(90º-A)] /senA ( em que A é um ângulo agudo num triângulo
rectângulo, a é o cateto oposto a A e b é o cateto adjacente a A )
onde aparecem senA e sen(90º-A) que hoje se conhece como cosA. Um século
mais tarde com
Abu'l Wafa, que já conhecia bem a função tangente a
igualdade anterior passa a ser
escrita a=b*tgA. Este matemático é mais sistemático
e provou fórmulas como as fórmulas da duplicação e bissecção do ângulo;
usou as seis funções trigonométricas bem como as relações entre elas. Foi o
primeiro matemático
árabe a fazer avanços em trigonometria. Baseado nos dados que obteve
pesquisando a matemática indiana, achou que era preciso criar mais 3 razões
trigonométricas para calcular a órbita da lua com exactidão: a tangente,
a secante e a co-secante. O matemático
Abu Nasr Mansur Ibn
Iraq (séc. X) contribuiu na trigonometria alterando o círculo trigonométrico,
(no qual eram baseados os cálculos) de um círculo de raio 60 para um círculo
de raio 1.o que facilitou os cálculos trigonométricos e alterou a
trigonometria para sempre.
Al-Jayyani foi o primeiro matemático a
publicar um livro dedicado ao estudo da trigonometria, o qual tem uma importância
histórica muito grande, já que os europeus o utilizaram como referência nos
seus estudos durante muito tempo.
Bhaskara
(séc. XII) nasceu na Índia. A sua maior contribuição para a Trigonometria
foi Siddhantasiromani, dividido em duas partes: uma sobre matemática
astronómica e outra sobre a esfera. Determinou um método detalhado para
construir uma tabela de senos para qualquer ângulo. É interessante ressaltar
que, apesar de haver trabalhado com equações de segundo grau e formulada uma
expressão que envolvia raízes quadradas, o seu nome relacionado a esta fórmula,
aparentemente, só acontece no Brasil, pois não encontramos esta referência na
literatura internacional, pelo que, a nomenclatura "fórmula de Bhaskara"
não é adequada, pois problemas que recaem numa equação do segundo grau já
apareciam quase quatro mil anos antes, em textos escritos pelos babilónios, nas
tábuas cuneiformes.
Na
Europa medieval, devido a razões de ordem político-religiosas a ciência pouco
evoluiu. É no séc. XV que é construída a primeira
tábua trigonométrica por um matemático alemão, nascido na Baviera, chamado
Purback,
porém, o primeiro tratado feito de maneira sistemática sobre a Trigonometria
foi escrito pelo matemático alemão
Johann Müller, também chamado
Regiomontanus, denominado Tratado dos Triângulos, De triangulis Omnimodis Libri Quinque, em que fez uma introdução
completa à Trigonometria e resolveu problemas de Geometria Plana e Esférica. A
Trigonometria liberta-se da Astronomia e assume-se como ciência independente. Sabe-se
que Regiomontanus foi discípulo de Purback.
No
século XVI,
Bartholomeo Ptiscus inventou o nome Trigonometria enquanto
Copérnico e o seu aluno
Rheticus estabeleceram o uso das seis funções
trigonométricas e construíram tabelas de valores das mesmas segundo a ideia de
que essas funções representam razões num triângulo rectângulo. O recurso
sistemático ao círculo trigonométrico e a aplicação da Trigonometria à
resolução de problemas algébricos é feita por
Viète (séc. XVI ) que
estabeleceu alguns resultados importantes e
Albert Girard contribuiu com as abreviações sen, cos e tg para as razões
trigonométricas.
W. Snell (séc. XVII), que é mais conhecido pela lei da refracção, por volta de 1600, a fim de obter coordenadas dos pontos de uma região na superfície da Terra, introduziu a ideia de triangulação. Snell usou uma pequena modificação da versão clássica de triangulação para realizar a primeira medida de meridiano da Terra.
Mais
tarde
Roberval
(1602-1675) formula
problemas relacionados com o seno, que dão uma importante indicação de que a
Trigonometria não é só cálculo e
faz o primeiro esboço do gráfico de uma curva de seno.
No
século XVIII foi grande o desenvolvimento da Trigonometria mas, as técnicas
até então desenvolvidas, não tinham condições de atenuar o efeito dos
inevitáveis erros de medida, o que acabava comprometendo a qualidade dos mapas
de maior tamanho.
Gauss, por volta de 1820, introduziu o tratamento dos
erros de observação na Geodésia e na Topografia, aumentando em muito a
exactidão do trabalho dessas disciplinas.
Euler
(séc. XVIII ), ao usar sistematicamente o círculo trigonométrico de raio um
introduziu o conceito de seno, co-seno e de tangente como números ou razões ou
coordenadas de pontos e as notações actualmente utilizadas. Na sua obra Introductio,
em 1748, estabeleceu o tratado analítico das funções trigonométricas
A
ligação da trigonometria à Análise só é feita por
Fourier (séc.
XIX) como consequência do estudo dos movimentos periódicos por ele efectuado.
Fourier foi aluno de Monge
e de Lagrande e foi professor na Escola Politécnica
de Paris. Participou na aventura napoleónica no Egipto, durante a qual começou
a compilar elementos para a Descrição do Egipto. Quando regressou a
França publicou o livro Teoria Analítica do Calor que teve um papel
importante em toda a Matemática sendo identificado como um grande poema matemático.
Do estudo das funções periódicas surgiram afirmações tais como: “Qualquer
função periódica f, de frequência N pode ser considerada como soma de
funções sinusoidais de frequência N,2N, ... ,” e estas somas
de termos infinitos são hoje conhecidas por Séries de Fourier.
Há métodos actuais de análise em medicina, onde são enviadas ondas ao coração, de forma que efectuem interacções selectivas com os tecidos a observar
Geodésia: estudo da forma e dimensão da Terra
Método do momento eléctrico para cálculo de linhas de transporte de energia eléctrica: permite calcular com grande sensibilidade a potência de transporte de linhas, as perdas e a distância a que ela poderá ser transportada
Estudo da intensidade luminosa: calcula-se a intensidade luminosa irradiada por uma fonte luminosa para uma determinada direcção
Instrumentos de medidas de ângulos: topografia, ciência náutica e cartografia
Trigonometria nas teclas de um telefone digital. O som produzido pelas teclas de telefones digitais é a soma de dois tons dados por: Y=sen2pLT e Y=sen2pHT, onde L e H são baixa e alta frequência respectivamente
Numa pesquisa realizada em 1997, com engenheiros que actuam em empresas
de grande porte da região da Serra Gaúcha, foi constatado que a trigonometria
é o conceito de matemática básica mais utilizado por eles no seu quotidiano.
A necessidade e o interesse destas determinações levou à invenção de instrumentos famosos. Podes consultar Aplicações.