História dos Números

 

     Ao longo de toda a existência da humanidade os conceitos de número e números têm tido uma enorme influência na nossa cultura e na nossa linguagem. São milhares as palavras que estão claramente associadas a números. Alguns exemplos visíveis são:

 

            ØUm monólogo - discurso feito por uma pessoa;

            ØUm dueto - canção cantada por duas pessoas;

            ØUm triatlo - competição com três provas desportivas;

            ØUm quadrilátero - figura com quatro lados.

        

     Mas o que é que nos fez, criar tão importante conceito? A resposta repousa claramente aos nossos pés. Quais de nós não tem, desde que nasce, uma certa noção  se uma porção de objectos foi aumentada ou diminuída?

     Por certo, foi essa capacidade que fez aparecer esse conceito tão importante que é o número. Esta e mais a necessidade que o homem tinha de contar foram os alicerces para que nós nos  começássemos a convencer que precisávamos de algo mais concreto que nos pudesse ajudar a exprimir e a contar os objectos que nos pertenciam.

     Assim, foram criados diversos sistemas de representação dos números por todo o mundo ao longo dos tempos, sendo os mais antigos que se conheçam os que são oriundos do Egipto, Suméria e Babilónia.

     No entanto, não são apenas estes os sistemas numéricos conhecidos. Outros que convém mencionar são também os sistemas Grego, o Romano, o Indiano e o nosso muito conhecido e também muito utilizado, sistema Árabe.

     Foram os pitagóricos que conceberam os números de um modo geométrico, ou seja, de modo a serem representados por figuras e grandezas. Além disso, estes números pitagóricos foram também entendidos como harmonia entre o infinito e o finito, devido às figuras geométricas serem formas do espaço em si mesmo limitadas e ilimitadas.

    Platão, influenciado pelos pitagóricos, utilizou, numa sua teoria, as categorias de unidade e de pluralidade, aparecendo assim a noção de ideia número, de ideia monédica e de ideia diática. No entanto, Aristóteles vai criticá-lo afirmando que "o carácter do uno é o de ser, de toda a evidência, a unidade de medida". Aristóteles também concluiu que o uno não é considerado um número porque "a unidade de medida não é uma pluralidade de medidas, e a unidade de medida e o uno são ambos princípios".

 

 

    Na Idade dos Mil Anos, por volta de 476 e 1453,  filósofo dominicano Santo Tomás de Aquino procurou explicar que a multiplicidade é medida pela unidade e distinguiu o número numerado do número numerador.

    Durante o período renascentista a filosofia de Platão ressurgiu e assim foi permitida uma difusão da numerologia simbólica que antecipou a moderna concepção da ciência definida por grandes génios como Copérnico, Galileu e Kepler.

    Um número muito conhecido, que data desta época, é o número de ouro. Este número apareceu pela primeira vez na muito conhecida obra de Luca Pacioli chamada Divina Proporção, editada em Veneza em 1509.      

 

 

    Muitos foram os grandes pensadores, filósofos e intelectuais, que reflectiram e encontraram concepções acerca dos números. Entre eles podemos destacar nomes como Russel, Kant e Hegel.

    Para Kant, o número pressupõe o tempo e o espaço. Assim, definiu o número como sendo o resultado de um relacionamento, que implica não só a distinção dos objectos no espaço, mas também a sua sucessão no tempo.

    Para Hegel o número é o quantum quando alcança a sua completa precisão e se apresenta como uma síntese da unidade e da multiplicidade.

    Para Bertrand Russel, um dos mais brilhantes intelectuais do século XX, o número é uma consequência lógica da maneira de reunir ou agrupar determinadas classes ou categorias de objectos. Por exemplo:

                0 (zero) designa o número da classe que não tem elementos;

                1 (um) é a classe que apenas tem um elemento;

                2 (dois) é a classe que apenas tem dois elementos;....

    Assim, Russel concluiu também que "o número de uma classe será o número de todas as classes que lhe forem análogas ou similares".  

 

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