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Ao longo dos séculos na História da Matemática, o aparecimento de cada novo tipo de números (números fraccionários, negativos, irracionais,...) foi saudado por reacções de grande perplexidade.
Vamos conhecer agora um novo
episódio dessa evolução: a transição do
conjunto dos números reais para o dos números complexos.

Mas como surgiram os números complexos?
Após séculos de lentos progressos na evolução do saber matemático, surge em Bolonha, no séc.XVI, um grupo brilhante
de matemáticos, mestres desta famosa universidade que atraia estudantes de toda a
Europa. Deve-se a esse grupo a descoberta, na altura verdadeiramente
sensacional, de uma fórmula resolvente para equações de 3º grau. Os
nomes de
Scipione del Ferro,
Tartaglia
(de Bolonha) e
Cardano
(de Milão)
estão ligados à descoberta e divulgação desta fórmula que foi publicada por
Cardano,
em 1545, no livro “Ars Magna” .
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Cardano |
Tartaglia |
Mas havia aspectos muito obscuros no
comportamento da referida fórmula, pois esta podia fornecer raízes reais exactas
apesar de ter números negativos sob certos radicais quadráticos.
Perante esta situação paradoxal,
Bombelli,
professor em Bolonha, depois
de
Tartaglia,
não hesitou em considerar os radicais do tipo √(-a) ( com
a>0 ) como representativos de números de nova espécie, a que chamou quantidades
silvestres, e em combiná-los com números reais obtendo assim os números
actualmente denominados complexos.
Os números imaginários surgiram assim
naturalmente mesmo indo contra a
vontade dos matemáticos .
Em 1702,
Leibniz
considerava os números imaginários como algo
eternamente sem sentido, uma vez que, de forma incompreensível, conduziam a
resultados úteis e dizia mesmo que “os números imaginários são o refúgio
delicado e admirável do espírito divino, quase uma coisa anfíbia entre o ser e
o não ser” .
Só no séc.XVIII
a doutrina sobre números imaginários se desenvolveu e
começou a ganhar estrutura , com
De Moivre,
Euler
e
D’Alembert.
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| Euler | De Moivre |
É de notar que
Euler, ao estabelecer a célebre fórmula
revela a íntima relação entre diferentes funções da Análise Elementar e reconhece o papel fundamental dos
números imaginários na teoria das funções.
Da fórmula anterior resulta a igualdade, eiΠ
+ 1 = 0, estabelecida por
Euler
em 1748, que é uma relação interessante
envolvendo cinco números notáveis: e, i, Π,
1, 0.
Passaram ainda mais 100 anos até que a “Teoria dos Números Complexos” ficasse completamente constituída, graças sobretudo a Cauchy e Hamilton. Só no séc.XIX, quando Argand e Gauss apresentaram formas de representação gráfica destes números e das suas operações, a aceitação da teoria se generalizou.
A construção do sistema numérico deu assim origem a conjuntos de referência
cada vez mais amplos, ℂ, ℝ,
ℚ, ℤ, ℕ,
cada um deles contendo o seguinte.
ℕ-
números naturais
ℤ-
números inteiros
ℚ-
números racionais
ℝ-
números reais
ℂ-
números complexos