Matemático francês, nasceu a 17 de agosto de 1601 em Beaumont - de - Lomagne,
perto de Montauban a sudoeste da França. Filho de Dominique Fermat, um rico
comerciante de peles que o colocou no mosteiro franciscano de Grandselve
recebendo, ali, uma educação privilegiada. Fez advocacia quando de sua passagem
pela Universidade de Toulouse, tinha uma grande cultura clássica, conhecendo bem
o grego e o latim, o que, tornaria possível ler as obras dos matemáticos antigos
nos originais, apesar de ter a matemática, apenas como uma de sua distracções
nos momentos de lazer.
Entrou para o serviço público onde foi, em 1631, nomeado conseiller au Parlement
de Toulouse, conselheiro na Câmara de Requerimentos. O objectivo da câmara era
filtrar os requerimentos destinados ao Rei, formar um elo entre a província e
Paris, servir de intermediário entre a população e o monarca e implementar as
regiões dos decretos reais. Além de Fermat exercer o referido cargo,
desempenhava, ainda, como tarefas adicionais, a prestação de serviço como juiz.
Como servidor público, Fermat teve uma rápida ascensão e, em consequência, se
tornou membro da elite o que dava direito ao uso do " de " como parte de seu
nome.
Naquela época assolou em toda a Europa uma praga e aqueles que sobreviviam à
doença, como foi o caso de Fermat, eram promovidos em face da morte do colega.
Fermat, foi, ainda, nomeado para o Parlamento de Toulouse pelo primeiro-ministro
da França Armand Jean du Plessis Richelieu, cumprindo, estrategicamente, com
suas obrigações de maneira eficiente, pois, naquela ocasião, reinava um clima
bastante confuso mesmo para quem trabalhava e apoiava o governo.
Por volta de 1660, Fermat muda-se para Paris e junta-se à Ordem Mínima de
l'Annociade, perto do palácio real, pois, vivia isolado da pequena comunidade de
matemáticos que incluía nomes como Pascal, Gassendi e principalmente o Padre
franciscano Marin Mersenne.
A partir de então, Fermat enunciava, sem fornecer a demonstração, seu teorema à
comunidade de matemáticos a fim de desafiá-los para fornecer a demonstração.
Começou, nesse momento, troca de correspondências pela primeira vez com Blaise
Pascal sobre a criação da Teoria da Probabilidade, assunto desconhecido por
Fermat e tinha por objectivo descobrir as leis matemáticas que descrevessem com
uma maior precisão as leis do acaso. Fermat e Pascal determinaram as regras
essenciais, chegando, Pascal a se convencer de que poderia usar suas teorias
para justificar a crença de Deus.
Além de ser um dos fundadores da teoria da probabilidade, Fermat esteve
profundamente envolvido na reconstrução do trabalho de Apollonius, usando a
álgebra de François Viète e formulando o princípio da geometria analítica e teve
a ideia, que se tornou definitivamente aceita nos fins do século XVII, de
classificar as curvas planas de acordo com o seu grau. Estabeleceu, ainda, o
princípio fundamental de que uma equação do primeiro grau, no plano, representa
uma recta e que uma equação do segundo grau representa uma cónica: princípio do
qual deduz interessantíssimas consequências relativas a lugares geométricos.
Ao mesmo tempo, enuncia a classificação dos problemas em problemas determinados
, problemas que se reduzem a uma equação a duas incógnitas, a uma equação a três
incógnitas etc. e acrescenta que os primeiros consistem na determinação de um
ponto, os segundos na determinação de uma linha ou de um plano, os seguintes de
uma superfície, e assim por diante.
O trabalho de Fermat, estabelecendo o princípio da dimensão na álgebra e na
geometria algébrica, indica uma fusão da álgebra e da geometria, absolutamente
de acordo com as ideias modernas, levando a associar o seu nome ao de René
Descartes, como fundadores da geometria analítica.
É de suma importância frisar que foi a teoria das cónicas uma das últimas
contribuições essenciais da matemática grega ( em relação às quádricas, os
gregos não conheciam senão certas quádricas de revolução e, com excepção da
esfera, não desenvolveram muito o seu estudo ). Apesar de os gregos não terem
tido a ideia do princípio fundamental da geometria analítica, em virtude de não
possuírem uma notação algébrica adequada, utilizavam correctamente, para o
estudo das cónicas e de " figuras " particulares, as " ordenadas " em relação a
dois ou, ou mesmo mais de dois, eixos no plano, em estreita relação com a
figura. Pelo fato dos eixos serem fixados independentemente da figura
considerada, representava um dos pontos fundamentais de divergência entre os
métodos dos gregos e o de Fermat e Descartes.
Com respeito ao problema de duplicação do cubo, os gregos deram os primeiros
exemplos de cónicas, distintas do círculo. São as curvas dadas pelas equações y2
= ax, y = bx2 e xy = c, devidas a Menecmo ( 375 - 325 a.C. ), discípulo de
Eudoxo.
As equações das cónicas, de ordinário em relação a dois eixos oblíquos formados
de um diâmetro e da tangente em um de seus pontos de encontro com a curva, são
mais frequentemente utilizadas no estudos dos problemas relativos a essas
curvas. Dessa vasta teoria, deve-se reter, sobretudo, a noção de diâmetros
conjugados, já conhecidas de Arquimedes, e a propriedade que se usa para a
actual definição de polar de um ponto, dada por Apolónio, quando o ponto é
exterior à cónica ( a polar sendo, então, para ele, a recta que liga os pontos
de contacto das tangentes traçadas desse ponto ).
Esse resultados são interpretados como dois exemplos de ortogonalidade em
relação a uma forma quadrática distinta da forma métrica, pois, a ligação entre
essas noções e a noção clássica de perpendicularidade não poderia ser concebida
naquela época.
Essas ideias levaram a um rápido desenvolvimento da geometria analítica, que
atingiu toda a sua amplitude no século XVIII, com Alexis Clairaut, Leonhard
Euler, Gabriel Cramer, Joseph Lagrange e muitos outros.
O génio matemático de Fermat tornou-se mais patente nos trabalhos sobre a teoria
dos números consagrando-se como um dos mais ilustres matemáticos do século XVII,
como também, deu considerável impulso à aritmética superior moderna e exerceu,
assim, grande influência sobre o desenvolvimento da álgebra.
Alguns teoremas originais, notáveis pela sua concepção, devem-se a Fermat, como
por exemplo aquele que diz o seguinte enunciado " Se ' p ' é um número primo e a
é um inteiro qualquer, então ap = a mod.p " ou o que estabelece que " Se p é um
número primo, então ap-1 - a é divisível por p ". O teorema afirma que se p é
primo e a é primo em relação a p, então ap-1 -1 é divisível por p.
O mais famoso dos teoremas de Fermat, vinha desafiando os matemáticos desde 1636
quando, finalmente, no dia 19 de setembro de 1994 Andrew Wiles o demonstrou.
Este teorema foi notoriamente descoberto por Fermat o qual passou para a
história da matemática com a designação de " Último Teorema de Fermat " cujo
enunciado e equação é o seguinte:
" Não há números inteiros e diferentes de zero que satisfaçam à equação xn + yn
= zn desde que n seja inteiro e maior do que 2 ".
Com respeito à demonstração do referido teorema, Fermat escreveu à margem de um
exemplar da edição preparada por Claude Gaspard Bachet de Méziriac - poeta,
linguista e estudioso dos clássicos ¾ , das obras do matemático grego Diofante:
" Encontrei uma demonstração verdadeiramente admirável, mas a margem é muito
pequena para apresentá-la "
Apesar dos esforços demonstrados pelos notáveis matemáticos daquela época que
sucederam a Fermat, como Euler, Legendre, Gabriel Lamé, Dirichlet, etc., o
próprio Fermat provou que o teorema é verdadeiro para n=4, depois veio Euler,
Legendre e Dirichlet provaram que o teorema também se verifica para n=3, n=5 e
n=14, respectivamente.
No século XIX, Sophie Germain, para conduzir os trabalhos de pesquisa, assumiu a
identidade de um homem. Ela fez o maior progresso do século na solução do
referido teorema, embora não tenha obtido a solução. Outro grande matemático do
início deste século, David Hilbert, afirmou que se estudasse por três anos,
provavelmente não teria sucesso.
Os estudos dos fenómenos luminosos, inicialmente realizados por meio de
experimentos, foi, aos poucos, ganhando desenvolvimento teórico através de trato
matemático, o qual veio depois a introduzir grandes simplificações que
possibilitaram o aperfeiçoamento dessas mesmas experiências. As equações
matemáticas possuíram inclusive aplicação prática na construção de muitos
sistemas ópticos, principalmente os que apenas encerram reflexões e refracções.
A óptica geométrica, interpretação puramente geométrica dos fenómenos luminosos,
baseia-se numa proposição estabelecida pelo geometra francês Pierre de Fermat,
que, embora não faça nenhuma consideração a respeito da natureza da luz, possui
inúmeras aplicações nas construções de instrumentos ópticos de grande utilidade,
como o microscópio, as lunetas e os projectores.
O princípio é o seguinte, tal como foi proposto pelo autor: " O tempo gasto pela
luz para ir de um ponto qualquer A até outro ponto qualquer B é o menor possível
".
Dessa afirmação segue-se, imediatamente, que se a luz vai de A até B sem
experimentar nenhum desvio ( reflexão ou refracção ), a trajectória percorrida
será, necessariamente, rectilínea, pois se o meio é homogéneo a velocidade de
propagação será constante e o menor tempo corresponderá ao menor trajecto,
sabendo-se que a recta é a menor distância entre dois pontos.
Definindo-se o caminho óptico através do produto do índice de refracção do meio
pelo caminho geométrico da luz, o princípio de Fermat pode ser também enunciado
do seguinte modo:
" A luz se propaga segundo um caminho óptico cujo comprimento é um extremo (
máximo, mínimo ou estacionário ) ".
Fermat não se preocupou em publicar as suas obras, porém, distribuiu cópias dos
manuscritos para seus discípulos e amigos que delas se utilizavam e muitas vezes
reproduziu-as.
Quando do seu falecimento ocorrido na bela cidade francesa de Castres que foi
anexada em 1225 à Coroa por Luís VIII e condado em 1356, passando para a casa de
Armagnac e posteriormente retornado, em 1519 à Coroa, a 12 de janeiro de 1665,
seu filho mais velho, Clément - Samuel, percebeu da importância dos trabalhos do
seu genitor, pois havia riscos das descobertas serem extraviadas, reuniu alguns
de seus trabalhos dispersos numa compilação intitulada " Varia opera mathematica
", publicada em 1679, em Toulouse. Edição moderna, reunindo todos os manuscritos
conhecidos, foi publicada por Paul Tannery e Charles Henry, em quatro volumes
mais um suplemento, em Paris.