Matemático português nascido em Alcácer do Sal em 1502 e falecido em Coimbra
a 11 de Agosto de 1578. De ascendência judaica, fez em Salamanca os estudos de
artes, matemática e medicina - Bacharel em 1526.
Cosmógrafo do reino a 16 de Novembro de 1529 obteve por concurso, a cadeira de
filosofia moral na Universidade de Lisboa, onde também ensinou lógica e
metafísica. Mais tarde prestou provas, em Lisboa, para a licenciatura em
medicina. Renunciou ao ensino oficial, em 1532, continuando, porém, a educar e
ensinar os infantes D. Luís e D. Henrique e consagrando-se à investigação. A 12
de Dezembro de 1547 passou a cosmógrafo – mor tendo também a seu cargo a cadeira
de matemática na Universidade de Coimbra até 1562.
Uma das suas obras mais originais e a que maior renome lhe deu além fronteiras -
De Crepusculis - descreve a sua invenção perpetuada com o nome de nónio.
Inventou também as linhas de rumo, posteriormente designadas loxodromias.
Pedro Nunes deixou obra científica que o coloca entre os maiores matemáticos do
seu século; nele o espírito utilitário predomina sobre o especulativo, embora o
seu espírito de teórico eminente se mostre mais à vontade nos campos da ciência
pura do que na aplicada.
Biografia de Pedro Nunes:
1502: Nasceu em Alcácer do Sal.
1520: Iniciou os seus estudos universitários de Matemática, Artes e Medicina, em
Salamanca. Pensa-se que tenha também frequentado a Universidade de Alcalá de
Henares.
1523: Data do seu casamento, em Salamanca, com D. Guiomar Áreas (Aires), do qual
nascem Apolónio, Pedro, Briolanja, Francisca, Isabel e Guiomar.
1526: Toma o grau de bacharel médico, na Universidade de Lisboa.
1527: Começa a ensinar o infante D. Luís, Martim Afonso de Sousa e D. João de
Castro.
1529: No dia 16 de Novembro, foi nomeado cosmógrafo de D. João III
No dia 4 de Dezembro ingressou, por concurso, nos Estudos Gerais (Universidade
de Lisboa), como lente substituto da cadeira de Filosofia Moral.
1531: Rege as cadeiras de Lógica e Metafísica na Universidade de Lisboa e
começa, em Outubro, a dar aulas ao infante D. Henrique, futuro cardeal-rei .
1532: Após ter feito o exame de licentia na Sé de Lisboa (a 17 de Fevereiro),
tomou o grau de doutor em Medicina (a 23 de Fevereiro) em Lisboa, na capela do
Hospital Real.
1537: A 27 de Setembro conseguiu permissão do rei para mandar imprimir todas as
obras que estivessem completas até à data.
Publicou, a 1 de Dezembro, o Tratado da Sphera com a Theorica do Sol e da Lua,
em Lisboa.
1542: Em Janeiro, é publicado Petri Nonii Salaciensis de Crepusculis libri unus.
1544: A 16 de Outubro foi nomeado Professor de Matemática na Universidade,
entretanto transferida para Coimbra.
1546: Foi publicado, em Coimbra, De erratis Orontii Finaei.
1547: Foi nomeado, a 22 de Dezembro, Cosmógrafo-Mor do Reino.
1549: Publicação por Diogo de Sá, em Paris, do livro De navigatione Libri tres
com críticas a Pedro Nunes.
1562: Deixou a Universidade, sendo-lhe concedida a jubilação por diploma de D.
Catarina, sua última interferência como Regente do Reino.
1566: É publicado, em Basiléia, Petri Nonii Salaciensis Opera
1567: Impressão, em Anvers, do Libro de Algebra en Arithmetica y Geometria
1577: É consultado pelo Papa Gregório XIII, sobre o projecto de Reforma do
calendário.
1578: Morreu em Coimbra, (a 11 de Agosto).
Obras de Pedro Nunes
OBRAS IMPRESSAS
1537 - Tratado da Esfera, Lisboa, Simao Galhardo.
Inclui:
Tratado da Sphera
Theorica do Sol e da Lua, de Purbachio
Livro primeiro da Geographia, de Ptolomeu
Tratado sobre certas duvidas de Navegacao
Tratado em defensam da carta de Marear
Entre 1537 e 1542 - Astronomi Introductorii de Sphaera Epitome, sem data e sem
local.
1542 - De Crepusculis Libri Unus, Lisboa, Luis Rodrigues.
1546 - De Erratis Orontii Finaei, Coimbra, Joao Barreiros e Joao Alvares.
1566 - Petri Nonii Salaciensis Opera, Basileia, Ex Officina Henricpetrina.
Inclui:
Rerum astronomicum Problemata Geometrica
De Regulis et Instrumentis [...]
In Theorica Planetarum Georgii Purbachii
1567 - Libro de Algebra en Aritmetica e Geometria, Anvers, Juan Stelsio
REEDIÇÕES no SÉC. XVI
1571- De Crepusculis Libri Unus, Coimbra, Antonio Mariz.
De Erratis Orontii Finaei, Coimbra, Antonio Mariz.
1573 - De arte atque ratione navigandi, Coimbra, Antonio Mariz.
1592 - Petri Nonii Salaciensis Opera, Basileia, Sebastianum Henricpetrum.
MANUSCRITOS
Defensam do Tratado de Rumacao do Globo para a Arte de Navegar [Biblioteca
Nacional de Florença]. Publicado em: Joaquim de Carvalho, Coimbra,1952.
OBRAS DE QUE SÓ HÁ NOTÍCIA:
Geometria dos triangulos spheraes
De ortu et occasu signorum
De astrolabio opus demonstratiuum
De planisphaerio geometrico
De globo delineando ad nauigandi artem
Traducao do De Architectura, de Vitruvio
Em rigor, os únicos autógrafos conhecidos de Pedro Nunes são as suas assinaturas em documentos dos livros dos Conselhos, existentes no Arquivo da Universidade de Coimbra. Três destas assinaturas eram já conhecidas há algum tempo, tendo sido publicadas, em 1913, por Luciano Pereira da Silva, que delas teve conhecimento por Teixeira de Carvalho.
No entanto, esta listagem completa-se com as assinaturas do matemático constantes em documentos que Mário Brandão transcreveu, pelo que apresentamos reprodução não só das três assinaturas já conhecidas, mas também, e pela primeira vez, de outras seis.
Da análise interna dos referidos documentos - actas produzidas no âmbito das reuniões do Conselho da Universidade, em que Pedro Nunes participava - verifica-se que fazem referência específica ao "doutor po nunez Cosmographo mor", "doutor em medecina" e "lente de mathematica" apresentando no final as respectivas assinaturas. Apesar da variante na abreviatura, constata-se serem perfeitamente coincidentes no que respeita à grafia. Todos os elementos presentes evidenciam, de forma incontroversa, que estas assinaturas são da mão de Pedro Nunes.
Do mesmo modo, contribuem para confirmar a distinção entre o Doutor Pedro Nunes, vedor da Fazenda da Índia (1520) e reitor da Universidade de Lisboa (1536), e Pedro Nunes, matemático e cosmógrafo já estabelecida por Luciano Pereira da Silva. De facto, este autor ao determinar as diferenças biográficas entre os "dois doutores" pôs termo ao equívoco gerado pela homonímia, e que levara à atribuição errónea, por Varnaghen e outros autores, de várias assinaturas a Pedro Nunes, quando, na realidade, não pertenciam ao notável matemático.
Estas assinaturas, por testemunharem a forma como Pedro Nunes escrevia o seu
nome em documentos oficiais, revestem-se ainda de particular interesse, uma vez
que posteriormente surgiram muitas grafias alternativas: nunes, nuñez
e nuñes.