Introdução

Escola 

da Eleia

Zenão de Eleia

Paradoxos

 de Zenão

Outros

 Paradoxos

Bibliografia

 


IMPACTO NA FILOSOFIA

                 As conclusões da Escola de Eleia, que os Paradoxos de Zenão pretendiam defender, era de que tudo era apenas Um, uma única realidade, pelo que todas as nossas concepções do mundo não passariam de ilusões.

Neste sentido, não havia lugar a qualquer movimento, qualquer actividade, quaisquer divisões, pois tudo era apenas Um, e logo tudo nesse Um permaneceria, não se dividiria o Um, pois continuava a ser Um! Todos os fenómenos que observássemos não passavam de ilusões, pois nada se modificava.

Considera-se que a  forma como Zenão defendeu o seus argumentos influenciou o desenvolvimento dos sofistas da antiga Grécia. Ao utilizar os seus paradoxos para demonstrar coisas aparentemente absurdas, realçou o poder da sua argumentação, levando a que outros tenham procurado utilizar a sua maneira de argumentar para outras áreas, nomeadamente na área política.

Existe quem defenda que Zenão pretendia contrapor as conclusões da Escola Pitagórica, que indiciavam que a realidade seria essencialmente matemática. Ao demonstrar um conjunto de evidências deitaria abaixo um conjunto de noções geométricas. Já para Aristóteles, os Paradoxos da divisibilidade foram essenciais para a defesa da indivisibilidade infinita.

Alguns filósofos mais recentes também se debruçaram sobre os Paradoxos de Zenão, procurando explicá-los.

Para o alemão Immanuel Kant, os paradoxos explicavam-se pelas falsas concepções de tempo e espaço que possuímos. Para Kant existe de facto um mundo exterior a nós, um mundo que é verdadeiro, no entanto as nossas percepções transmitem o mundo de forma errada, pelo que aquilo que observamos e sentimos não aconteceu de facto, antes só o conseguimos de forma “mediada”, arruinando a nossa possibilidade de compreender o mundo. Isso explica as contradições apresentadas pelos paradoxos de Zenão: não é que as coisas não aconteçam, nós é que não temos possibilidade de compreende-las, pois não somos capazes de apreende-las como elas são. Os Paradoxos de Zenão existem pela nossa incapacidade de proceder a uma real análise dos fenómenos. Daqui e de outras reflexões posteriores Kant concluiu que compreender o infinito estava para além das possibilidades da razão humana.

David Hume, escocês do século XVIII, procurou explicar os paradoxos negando a possibilidade da infinita divisão de tempo e espaço, antes defendeu que existem partículas indivisíveis, e que teriam uma certa dimensão. No entanto não conseguiu explicar convenientemente como seria possível uma coisa ter dimensão sem ser divisível.

Georg Hegel (século XVIII) acreditava que uma solução de um problema deve conciliar as eventuais posições contraditórias, pelo que tentou elevar a questão dos Paradoxos de Zenão a outro nível, procurando desenvolver uma noção de quantidade que conciliasse a hipótese do Uno, defendida pela Escola de Eleia, e a noção de indivisibilidade defendida por outros filósofos.

Já no início do século XX vários filósofos (Bergson, Whitehead, James) basearam-se nos paradoxos de Zenão para a defesa de que o espaço e o tempo escapam à noção matemática do contínuo, que para se poder preservar a ideia de que o movimento era real, era necessário negar que o tempo e espaço eram compostos por pontos e instantes.

            Em meados do século XX vários filósofos procuraram demonstrar como a matemática moderna podia resolver os Paradoxos de Zenão. No entanto chegaram à conclusão que uma solução puramente matemática não era suficiente, pois os Paradoxos giram não só em torno da Matemática, mas também em torno da realidade física em que existimos.

            Nos nossos dias continuam a existir pensadores que se debruçam sobre estas questões e, apesar de a matemática hoje ter recursos que lhe permitem afirmar-se em realidades diferentes daquelas que nos estão directamente acessíveis, muitos continuam a por em causa a defesa do pensamento que uma soma infinita de coisas possa dar algo finito.

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