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Neste
sentido, não havia lugar a qualquer movimento, qualquer actividade,
quaisquer divisões, pois tudo era apenas Um, e logo tudo nesse Um
permaneceria, não se dividiria o Um, pois continuava a ser Um! Todos os
fenómenos que observássemos não passavam de ilusões, pois nada se
modificava. Considera-se
que a forma como
Zenão
defendeu o seus argumentos influenciou o desenvolvimento dos sofistas da
antiga Grécia. Ao utilizar os seus paradoxos para Existe
quem defenda que Zenão
pretendia contrapor as conclusões da Escola
Pitagórica, que indiciavam que a realidade seria essencialmente matemática.
Ao demonstrar um conjunto de evidências deitaria abaixo um conjunto de
noções geométricas. Já para Aristóteles, os Paradoxos da
divisibilidade foram essenciais para a defesa da indivisibilidade
infinita. Alguns
filósofos mais recentes também se debruçaram sobre os
Paradoxos de
Zenão, procurando explicá-los. Para
o alemão Immanuel Kant, os paradoxos explicavam-se pelas falsas concepções
de tempo e espaço que possuímos. Para Kant existe de facto um mundo
exterior a nós, um mundo que é verdadeiro, no entanto as nossas percepções
transmitem o mundo de forma errada, pelo que aquilo que observamos e
sentimos não aconteceu de facto, antes só o conseguimos de forma
“mediada”, arruinando a nossa possibilidade de compreender o mundo.
Isso explica as contradições apresentadas pelos
paradoxos de
Zenão: não
é que as coisas não aconteçam, nós é que não temos possibilidade
de compreende-las, pois não somos capazes de apreende-las como elas são.
Os
Paradoxos de Zenão
existem pela nossa incapacidade de proceder a uma
real análise dos fenómenos. Daqui e de outras reflexões posteriores
Kant concluiu que compreender o infinito estava para além das
possibilidades da razão humana. David
Hume, escocês do século XVIII, procurou explicar os paradoxos negando
a possibilidade da infinita divisão de tempo e espaço, antes defendeu
que existem partículas indivisíveis, e que teriam uma certa dimensão.
No entanto não conseguiu explicar convenientemente como seria possível
uma coisa ter dimensão sem ser divisível. Georg
Hegel (século XVIII) acreditava que uma solução de um problema deve
conciliar as eventuais posições contraditórias, pelo que tentou
elevar a questão dos
Paradoxos de Zenão
a outro nível, procurando
desenvolver uma noção de quantidade que conciliasse a hipótese do
Uno, defendida pela
Escola de
Eleia, e a noção de indivisibilidade
defendida por outros filósofos. Já
no início do século XX vários filósofos (Bergson, Whitehead, James)
basearam-se nos
paradoxos de Zenão
para a defesa de que o espaço e o
tempo escapam à noção matemática do contínuo, que para se poder
preservar a ideia de que o movimento era real, era necessário negar que
o tempo e espaço eram compostos por pontos e instantes.
Em meados do século XX vários filósofos procuraram demonstrar
como a matemática moderna podia resolver os
Paradoxos de
Zenão. No
entanto chegaram à conclusão que uma solução puramente matemática não
era suficiente, pois os Paradoxos giram não só em torno da Matemática,
mas também em torno da realidade física em que existimos.
Nos nossos dias continuam a existir pensadores que se debruçam
sobre estas questões e, apesar de a matemática hoje ter recursos que
lhe permitem afirmar-se em realidades diferentes daquelas que nos estão
directamente acessíveis, muitos continuam a por em causa a defesa do
pensamento que uma soma infinita de coisas possa dar algo finito. |
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