Introdução

Escola da Eleia

Zenão de Eleia

 Paradoxos

 de Zenão

Impacto 

na Filosofia

Bibliografia

 


OUTROS PARADOXOS

           

«-------  Se esperar um pouco, descobrirá como 12 podem ser 13

 

 

 

 

            Para além dos paradoxos de Zenão, existem muitos outros paradoxos, dos quais apresentamos alguns:

PARADOXO DAS ÁREAS     

Este paradoxo, parte da figura ao lado apresentada, cuja área facilmente se vê ser 64 (=8x8) pela área do quadrado. Por outro lado, é possível identificar dois triângulos de base 3 e altura 8, e 2 trapézios com altura 5 e bases maior e menor 5 e 3 respectivamente. Aplicando as fórmulas das áreas destes polígonos comprova-se aquilo que se esperava: 2x12+2x20=64.

            O paradoxo está no que acontece se reordenarmos estes 4 polígonos na seguinte disposição que ao lado se apresenta. Mais uma vez, é possível identificar dois triângulos de base 3 e altura 8, e 2 trapézios com altura 5 e bases maior e menor 5 e 3 respectivamente. No entanto, a área deste rectângulo é 65(5x13)! Aparentemente, o movimentar dos polígonos alterou a área e consoante a sua disposição, diferente será a sua área total!? Como seria de esperar, isso não passa de uma ilusão. Embora não seja fácil vislumbrá-lo a olho nu, mas a verdade (esperada) é que de facto a segunda figura não resulta de uma simples reordenação dos polígonos da primeira. Para demonstrá-lo podemos atentar no triângulo ABC que supostamente é recto. Se assim fosse, a razão do segmento ED (3) pelo segmento BA (5) seria igual à razão do segmento CD (8) pelo segmento CA (13), contudo, neste caso isso não se passa.

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PARADOXO DO BARBEIRO

             Numa vila, existe um barbeiro que faz a barba de todos (e apenas) os que não fazem a própria barba. A questão paradoxal é: Quem faz a barba ao barbeiro?

            Se não for ele então é uma das pessoas que não a faz a própria barba e é ele quem lhe faz a barba (contradição!). Se ele fizer a própria barba, estará a fazer a barba de alguém que não faz a própria barba (contradição!).

            Este paradoxo revela-se análogo ao paradoxo da Biblioteca e ao de Russel, se considerarmos as pessoas da vila em vez de livros (Biblioteca) ou em vez de conjuntos (Russel) e a relação “fazer a barba a”, em vez de “fazer referência a” (Biblioteca) ou em vez da relação “pertencer”(Russel).

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PARADOXO DE BERTRAND

Este paradoxo foi desenvolvido por Joseph Bertrand (1822-1900). O paradoxo parte da seguinte pergunta: Qual a probabilidade de uma corda escolhida ao acaso dentro de um círculo ser maior que o lado do triângulo equilátero inscrito a esse círculo?

O paradoxal está no facto de se poderem encontrar várias soluções diferentes, não estando nenhuma delas errada! Tome-se dois exemplos de resoluções do problema:

            - Escolher uma corda é o mesmo que escolher dois pontos distintos do círculo. Entretanto, a escolha do primeiro ponto não influencia em nada o tamanho da corda. Fixe-se o primeiro ponto A e construa-se o triângulo de modo que o ponto A seja um dos vértices. Se o segundo ponto estiver no arco oposto ao ponto A, a corda será maior que o lado do triângulo, se estiver em um dos dois outros arcos, será menor. Como os três arcos têm o mesmo tamanho, P = 1/3;

- Uma corda é totalmente definida por seu ponto médio, ou seja, para cada ponto do interior da circunferência existe apenas uma corda que tem esse ponto como seu ponto médio. Seja R o raio do círculo do problema.  Observa-se que os pontos médios das cordas que excedem o lado do triângulo estão contidos no interior de um círculo de raio r = R/2, concêntrico ao círculo do problema. A probabilidade da corda escolhida ser maior que o lado do triângulo é igual à probabilidade de se escolher um dos pontos interiores ao círculo menor de entre todos os pontos interiores do círculo maior. Dividindo a área do círculo menor pela área do círculo maior obtemos P = 1/4;

Esta ambiguidade resulta da ausência da definição do espaço de acontecimentos. Ou seja, quando se diz “ao acaso” abre-se caminho a variadas interpretações do que será o espaço de acontecimentos. Daí que nas duas resoluções apresentadas, fruto da utilização de diferentes espaços de acontecimentos, se tenham obtido diferentes soluções que não estão erradas.

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PARADOXO DA BIBLIOTECA

Numa biblioteca, existem dois catálogos com características especiais: o primeiro cataloga todos (e apenas) os livros que fazem referência a si próprios; o segundo cataloga todos (e apenas) os livros que não fazem referência a si próprios.

O paradoxo que se coloca é: em que catálogo devem ser incluídos estes catálogos? O primeiro catálogo não oferece problemas: se fizer referência a si próprio então é porque tem que estar em si e estando em si é porque faz referência a si próprio; se não fizer referência a si próprio, é precisamente porque não faz referência a si próprio e portanto tem de estar no segundo catálogo. O primeiro catálogo, simplesmente não pode estar em ambos os catálogos.

É no segundo catálogo que se encontra o paradoxo: se faz referência a si próprio é então deve estar no primeiro catálogo, mas sendo o segundo catálogo, se faz referência é porque não faz referência a si próprio (contradição); se não faz referência a si próprio então, tem de estar no segundo catálogo, mas o segundo catálogo é ele próprio, logo tem de fazer referência em si próprio (contradição!).

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PARADOXO DE CONDORCET

            Marie Jean de Caritat, marquês de Condorcet (1743-1794), foi quem desenvolveu este paradoxo. Ele mostrou que é possível numas eleições, a maioria preferir o candidato A ao B, a maioria preferir o candidato B ao C, e ainda assim, a maioria preferir o candidato C ao candidato A!

            Este paradoxo centra-se na questão de a “maioria preferir” não ser uma relação de transitividade. Intuitivamente, acreditar-se-ia que se a maioria prefere A a B, a maioria prefere B a C então a maioria deveria preferir C a A, mas isso não se verifica necessariamente. Por exemplo, suponhamos as seguinte preferências eleitorais:

1ª Preferência

2ª Preferência

3ª Preferência

n.º de eleitores

A

B

C

10

A

C

B

7

B

A

C

5

B

C

A

8

C

A

B

10

C

B

A

5

            Podemos verificar que 27 pessoas preferem A a B, 23 preferem B a C e 23 preferem C a A, num universo de 45 pessoas, logo verifica-se o paradoxo.

            Outra forma de apresentar este paradoxo é no seguinte jogo: consideramos 3 piascas como na figura; joga-se dois a dois; cada jogador escolhe uma piasca e fá-la rodopiar; ganha aquele cuja piasca ao parar encoste num número maior.  Neste caso, B tem mais hipóteses de ganhar que A, C tem mais hipóteses de ganhar que B e A tem mais hipóteses de ganhar que C, como se vê nas seguintes tabelas:

B

A

2

4

9

 

C

A

3

5

7

 

C

B

3

5

7

1

B

B

B

 

1

C

C

C

 

2

C

C

C

6

A

A

B

 

6

A

A

C

 

4

B

C

C

8

A

A

B

 

8

A

A

A

 

9

B

B

B

P(“B”)>P(“A”)

 

P(“A”)>P(“C”)

 

P(“C”)>P(“B”)

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PARADOXO DO 

ENFORCAMENTO INESPERADO

            A um prisioneiro é dito que será enforcado nalgum dia entre segunda-feira e sexta-feira, mas que ele não saberá em que dia o enforcamento ocorrerá antes de ele acontecer. Ele não pode ser enforcado na sexta-feira, porque se ele ainda estivesse vivo na quinta-feira saberia que o enforcamento ocorreria na sexta-feira, e isso contrariaria o facto de ele nunca saber de antemão o dia em que seria enforcado. Ele não pode ser enforcado na quinta-feira pela mesma razão e o mesmo argumento serve para mostrar que não pode ser enforcado em qualquer outro dia. Todavia, o carrasco chega inesperadamente num dia que não a sexta-feira, surpreendendo o prisioneiro.

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PARADOXO DE EPIMENIDES

            Epimenides, um filósofo grego do século VI antes de Cristo disse que “Todos os cretenses são mentirosos... Um de seus poetas me disse isso”. Isto é paradoxal no sentido em que se os cretenses são mentirosos e o poeta mentiu ao dizer que são mentirosos então é porque eles não mentem, mas se não mentem então o poeta não ia mentir. Contudo, há resolução para este paradoxo: por um lado, ser mentiroso não implica mentir sempre que se abre a boca, o poeta pode ser mentiroso e para variar ter dito a verdade nesta situação; por outro, se “Todos os cretenses são mentirosos” é mentira, isso não impede que “alguns” cretenses sejam mentirosos e o poeta pode ser um deles e ter mentido a Epimenides.

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PARADOXO DE EUBULIDES

            Eubulides construiu a seguinte frase: “Esta frase é falsa”. É um paradoxo pode ser interpretado de modo idêntico ao do Mentiroso: se é falsa é porque é verdadeira, mas se é verdadeira então é falsa!

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PARADOXO DA 

GARRAFA DO DEMÓNIO

Neste paradoxo, da autoria de Robert Louis Stevenson, existe uma garrafa com um génio, que se encontra para venda. O génio realizará um desejo do seu comprador. No entanto, há condições especiais: o comprador paga o preço que quiser, mas, logo após usá-la, o comprador terá de vendê-la, e por um preço menor que aquele que pagou, pois caso contrário ficará condenado a uma vida infernal até ao fim dos seus dias.

Enquanto os preços forem altos não haverá problema, mas eles necessariamente seguirão a tendência de descer e à medida que se aproximar de zero, será mais difícil de encontrar comprador (lembrar que o dinheiro, ao contrário do espaço e do tempo, não é infinitamente divisível) pois quando o preço chegar ao mínimo possível, alguém ganhará uma vida infernal... Portanto, se alguém comprar a garrafa uma primeira vez, é certo que alguém irá ganhar uma vida infernal.

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PARADOXO DA

LÂMPADA DE THOMPSON

            Uma lâmpada é ligada por meio minuto, depois desligada por um quarto de minuto, depois ligada por um oitavo de minuto e assim sucessivamente. A pergunta colocada é sobre qual o estado da lâmpada após um minuto, ligada ou desligada? Não é possível responder a esta pergunta, que é equivalente a perguntar sobre se o último número inteiro é par ou ímpar.

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PARADOXO DO MENTIROSO

            Um homem diz “Eu estou a mentir”. Isto é um paradoxo, pois: se de facto está a mentir, então não é verdade que esteja a mentir (contradição!); se estiver a falar a verdade, então está a mentir (contradição!);

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PARADOXO DA 

RODA DE ARISTÓTELES

            Considerem-se dois círculos concêntricos e suponha-se que o círculo maior fez uma volta, rolando sem escorregar, desde o ponto R até ao ponto S, pelo que a distância entre R e S é igual ao perímetro do círculo maior.

            O paradoxal está em o círculo menor, supostamente colado ao círculo grande, descrever também uma volta, pelo que a distância entre P e Q seria também igual ao perímetro do círculo menor. Assim sendo e como o segmento RS é igual ao segmento PQ concluir-se-ia que os perímetros dos dois círculos são iguais! Como provar que isto é falso?

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PARADOXO DE RUSSEL

            Este paradoxo desenvolvido por Bertrand Russel (1872-1970), passa pela criação do conjunto A={X:XÏX}, isto é, o conjunto dos conjuntos dos conjuntos que não pertencem a si próprios. O paradoxo está em saber se A pertence a A ou não, pergunta para a qual, de facto não se pode responder, senão vejamos: só há duas hipóteses, ou A pertence a A, ou não pertence; se não pertence a A, então não pertence a si próprio e tem de pertencer a A(contradição!); se pertence a A, então pertence a si próprio, mas nesse caso não pode pertencer a A (contradição!). Logo, não há dúvidas de que se trata de um paradoxo. Para resolver este paradoxo, foi necessário fazer distinção entre dois tipos de colecção, os conjuntos e as classes, sendo que se pode considerar a classe de todos os conjuntos mas não o conjunto de todos os conjuntos.

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PARADOXO DE S. PETERSBURGO

Este paradoxo, terá sido pela primeira vez publicado por Daniel Bernoulli(1700-1782) (se bem que tenha sido introduzido por Nicolas Bernoulli a Montmort em 1713) Supõe-se que dois indivíduos Pedro e Paulo concordam em jogar um jogo baseado em lançar uma moeda. Neste jogo, lança-se sucessivamente a moeda até dar cara, então, se a moeda tiver aparecido à n-ésima tentativa, Paulo dará a Pedro 2n-1 moedas. A questão que se coloca é sobre quanto deve Pedro pagar a Paulo pelo privilégio de jogar tal jogo?

Intuitivamente, talvez se indicasse uma qualquer quantia finita, mas na verdade, seja qual for a quantia que Pedro invista por cada jogo, se ele tiver dinheiro suficiente para jogar número suficiente de vezes ele deverá sair a lucrar. Em cada jogo ele tem ½ de probabilidade de ganhar uma moeda, (½)2 de ganhar duas moedas e assim sucessivamente, tendo portanto (½)n de probabilidade de ganhar 2n-1 moedas. Como probabilisticamente é suposto por cada n jogos, ganhar (½).1+(½)2.2+...+(½)n.2n-1 moedas e este somatório, quando n tende para infinito, tende também para infinito, conclui-se que se jogar número suficiente de jogos, poderá ganhar uma quantia de dinheiro superior a qualquer valor estabelecido.

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PARADOXO DE SÓCRATES

            Sócrates disse que “Tudo o que sei é que nada sei”. Isto por si é claramente um paradoxo, pois sabe e não sabe.

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            Os paradoxos são assuntos que despertam o interesse e curiosidade de muitos, para satisfazer essa curiosidade, existem sites que se dedicam exclusivamente a paradoxos, como é o caso do http://www.ronbarnette.com/Zeno/zeno.html onde são apresentados novos paradoxos.